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Adoção vai ser desmitificada nas escolas da rede municipal

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

A adoção ainda é um tabu. O antídoto contra ele é a verdade, “remédio” aplicado contra qualquer mal, inclusive a discriminação. Para que as crianças e professores sejam vacinados contra os mitos que envolvem o assunto, o Grupo de Apoio à Adoção ‘Amigos da Vitória’ percorrerá escolas de ensino infantil da rede municipal a partir de hoje, data em que se inicia a Semana Bauruense da Adoção.

Além das palestras em salas de aula, o grupo ainda promoverá outras atividades para comemorar amanhã o Dia Nacional da Adoção, instituído em 2000 pela lei federal 10.447.

“A data foi criada para favorecer o trabalho de inclusão social de pais e filhos adotivos. Especificamente neste ano vamos tratar do assunto nas escolas para que alunos e professores estejam mais preparados para tratar da questão”, afirma a presidente do grupo, psicóloga Maria José Barbosa de Gobbi.

Na oportunidade, ela vai explicar que ser mãe não significa gestar, mas amar. Também vai mostrar quais são as formas de adoção (tardia, inter-racial e internacional), como e quando o assunto deve ser exposto em família e de que maneira deve ser tratado na escola.

“As próprias crianças acham a adotiva diferente. Queremos mostrar que todo mundo é igual. Não é por isso (pela adoção) que uma criança vai deixar de brincar, ou não vai bem na escola. Se o assunto não for bem trabalhado, pode prejudicar o desenvolvimento do aluno”, destaca.

Segundo a psicóloga, a criança pode tentar se afastar do convívio social, situação que interfere no aprendizado. Também pode trazer conseqüências no campo emocional e na personalidade, porque o aluno passa a ter a idéia de um mundo externo hostil.

Concorda com ela a professora de pré-escola e educação infantil Patrícia Gonçalves Leão Bessa, que confirma a importância da discussão do tema entre educadores. â€œÉ um assunto delicado em qualquer área. Já tive aluno que ficou sabendo que era adotivo na escola, por um amiguinho. Foi terrível. Neste caso, pode provocar até um bloqueio”, diz.

Verdade

Na opinião dela, a verdade tem de imperar em qualquer circunstância e a criança tem de saber desde pequena que é adotiva. “Os pais adotivos têm a obrigação de dizer qual é a origem dela e se ela quiser, têm a obrigação de levá-la para conhecer os pais biológicos. O grande dilema da questão é falar de forma clara sobre a origem da criança. Ela tem que saber que também teve uma barriga”, acrescenta Gobbi.

No entanto, esse “resgate” muitas vezes fica preso ao medo da mãe adotiva de perder o filho para a mãe biológica, embora a maioria das crianças prefira voltar para a casa dos pais adotivos por causa do vínculo afetivo.

“Até minha filha completar 7 anos eu tive depressão. Tive medo da família biológica aparecer e tirá-la de mim. Depois, tive medo que ela preferisse a outra família. Mas em fevereiro eu realizei um sonho e a coloquei para conversar com os irmãos. Estou realizada”, conta Celina Rocha Vaz, que tem três filhos, sendo dois adotivos.

No entanto, a filha de 19 anos ainda evita o contato com a mãe biológica. Gisele Cristina Rocha Vaz diz que sente mágoa dela e não acredita na possibilidade da iniciativa da mãe biológica ter sido um gesto de amor.

“As pessoas precisam saber que durante a gestação a mãe biológica cuidou da criança e deixou ela nascer. Poderia ter feito outra opção. Ela é muito estigmatizada. Para mim, as crianças têm curiosidade de saber como é a mãe biológica, mas têm medo de perguntar para não magoar a adotiva. Esse também é um dilema”, comenta a psicóloga.

Para lidar com a situação, a saída é não esconder nada, opina o promotor da Infância e Juventude, Lucas Pimentel de Oliveira. Para ele, a omissão não deve estar entre as opções que circundam o tema. “Famílias, escolas e sociedade têm que dispensar mais atenção ao assunto”, conclui. O juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, não foi encontrado pelo JC.

Amigos da Vitória

O Grupo de Apoio à Adoção “Amigos da Vitória” foi fundado em outubro de 2001, por iniciativa do juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, com o objetivo de reunir mensalmente pais adotivos para que eles pudessem trocar experiências.

Em outubro de 2002, a psicóloga Maria José Barbosa de Gobbi assumiu a nova diretoria e revitalizou o projeto, que hoje conta com cerca de 30 casais assíduos. Eles assistem palestras e discutem publicações e entrevistas sobre o assunto.

Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3223-0225.

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