Geral

João e Maria são preferência nacional

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de décadas em que reinaram nomes estrangeiros e pomposos, os simples e bíblicos João e Maria voltaram a entrar na lista dos preferidos dos pais. Uma pesquisa realizada pela empresa Certifixe, de São José dos Campos, em 20 cartórios de todo o País, atesta que esses e outros nomes, como Ana, Gabriel, Júlia e Lucas caíram nas graças dos brasileiros e estão com tudo na preferência nacional.

Em Bauru, a realidade é semelhante. De acordo com o oficial do 2.º Cartório de Registro Civil da cidade, Alexandre Matos Nascimento, os nomes mais simples estão em alta. “Nota-se uma grande propensão dos pais em usar nomes bíblicos ou antigos, como Cecília, Maria, Gabriel ou Pedro”, destaca.

Ele diz que não há uma estatística do cartório, mas é fácil observar que a preferência tem recaído por denominações comuns, sem letras dobradas ou palavras estrangeiras. “Antigamente, usava-se muito letras como y, w ou k para enfeitar os prenomes. Mas a orientação é para que se evite esse tipo de grafia, que não consta no alfabeto brasileiro”, destaca.

Ainda assim, guiados pela vontade de refletir nos filhos uma aura mais “brilhante”, alguns pais escolhem variações rebuscadas para denominar as crianças. Muitas vezes, influenciados por artistas de televisão.

A ex-bailarina Carla Perez, por exemplo, lançou moda ao colocar Camilly Victória em sua primogênita, de 2 anos. O nome está na lista da Certifixe em 11.º lugar na preferência dos pais e possui 17 variações, entre elas Kammyle e Camylly.

Entre os campeões de variação está Stephanie. Apontada na lista como a 43.º em grau de preferência, a denominação tem 29 variações (Stefany, Steffany, Stefhany, Stefane, Estefane, Ystephany e Sthephany, entre outras).

No entanto, nomes como esses estão cada vez mais restritos no Brasil. Os cartórios, de acordo com Nascimento, têm orientado os pais a optar pela simplificação. “Quando eles chegam querendo registrar a criança com um nome muito diferente, nós procuramos explicar que isso não é aconselhável, pois pode trazer problemas para a criança no futuro”.

Isso pode se refletir na escola, como aconteceu com a atriz Sthefany Brito. Em entrevista a uma revista de circulação semanal, ela disse que foi uma das últimas da classe a aprender a escrever o próprio nome.

Ou então, na vida adulta, quando o fato de ter de soletrar o nome com freqüência para que as outras pessoas entendam causa irritação.

A arquiteta Greice Nagela Romano Rodrigues, por exemplo, diz que gosta do seu nome, mas pelo fato de ele ser diferente, é constante a necessidade de soletrá-lo. “As pessoas nunca entendem e eu tenho que ficar explicando. Isso é chato”, frisa.

Para evitar que a situação se repita com seu herdeiro, ela, que está grávida de cinco meses e ainda não sabe o sexo do bebê, já definiu junto com o marido, José Ricardo Rodrigues, que a criança terá um nome comum e fácil de escrever. “Se for menina, será Catarina; menino, Pedro”, conta.

Histórias de vida

De acordo com o oficial do 2.º Cartório de Registro Civil de Bauru, Alexandre Matos Nascimento, a escolha do nome geralmente está ligada ao gosto pessoal dos pais. Mas em alguns casos, a denominação escolhida tem alguma explicação emotiva por parte dos progenitores.

Foi assim que surgiu o nome da pequena Maria Clara Cardoso Naboa, de 2 anos. A mãe dela, vendedora Vera Cristina Cardoso, decidiu chamá-la assim depois de ter alcançado uma graça de Nossa Senhora Aparecida, uma das denominações da Virgem Maria. “Quando descobri o sexo do bebê, já tive a certeza de que colaria esse nome nela. Depois, foi só escolher uma complementação que tivesse uma boa sonoridade e pronto”, conta.

A outra filha de Vera nasceu quando Maria Clara tinha 1 ano e 5 meses. Seguindo a mesma linha “simplista”, ela optou por Alice. A vendedora tem ainda uma filha de 11 anos, à qual escolheu dar o nome de Luciana, o mesmo do pai da menina.

Já a contadora Elia Amália Pilastre Terruel, mãe de João Pedro, 2 anos, escolheu esse nome não só por ele ser simples, mas por conter um significado todo especial.

Ela conta que tem um filho de 11 anos chamado Lucas. O menino, que nasceu saudável, teve uma paralisia cerebral quando tinha 1 ano e meio. Logo que entrou na escola, ele teve a companhia do primo Pedro, que tem quase a mesma idade que ele. “O Pedro tem um cuidado todo especial com o Lucas e sempre foi um grande companheiro para o meu filho”, diz.

Depois de ter passado por momentos difíceis devido às condições de Lucas, Elia achou que não engravidaria mais. Mas acabou gerando outro menino. Quando ele nasceu, ela optou por João Pedro por dois motivos: para homenagear o primo e por João significar “bênção de Deus”.

Comentários

Comentários