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País com Saúde abalada


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Com base na autenticidade das estatísticas oficiais, dentre os milhões de habitantes do País cerca de 16 milhões são portadores de esquistossomose, 6 milhões sofrem da doença de Chagas e 11 milhões são enfermos da mente. Enquanto isso, anualmente cerca de 110 mil são flagelados pela tuberculose e 16 mil morrem de tétano, a que se tem de acrescentar os milhares de vitimados pelas epidemias de meningite e encefalite. Entrementes, os levantamentos colocam a nação entre aquelas cuja mortalidade infanto-juvenil é recordista na grande América Latina.

Face a tão avultados números não se pode deixar de considerar gravíssimo o quadro da saúde do brasileiro, pelo que se responsabiliza a precariedade da maioria dos serviços públicos de combate às doenças no seu todo, decorrência lógica da igual precariedade do padrão de desenvolvimento econômico e da ineficácia da política da saúde nacional, a qual se sustenta expressamente na privatização do insuficiente atendimento de sua enorme clientela, conforme denunciam claramente as enormes filas de doentes de todas as idades que, a qualquer hora do dia e da noite, formam-se nas calçadas das clínicas da Previdência e dos ambulatórios e hospitais, sustentados pelos governos federal e estadual com recursos tão pequenos que não bastam para o seu abastecimento de remédios, levando as famílias a gastarem particularmente nada mais nada menos que 19 por cento de seus rendimentos mensais na questão.

As evidências denunciam que será muito difícil solucionar os problemas do setor no sistema social vigente, que condena quase a metade da população a sobreviver pelo processo natural dos mais resistentes. Quem pode suportar, contemporiza heroicamente. Quem não pode, falece, mudando-se para as sepulturas cujo preço também está na “hora da morte”.

O Instituto Nacional de Previdência Social, surgido das reformas de 1966/68, foi o órgão principal da privatização, mas não operou o milagre da diminuição das doenças de seus milhões de filiados e a temerária problemática aí está, desafiando por natureza, sem que o novo Governo da República, que prometeu, solenemente, em sua campanha, encaixar a Saúde nas principais preocupações governamentais, logre concretizar um pouco de sua promessa e até contraiu inesperada doença: a greve de seus funcionários, em plena efervescência e, então, sacrificando mais um pouco a sua clientela. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“A estrada da vida junca-se de folhas mortas e inservíveis. Olhe-se porém para as árvores do outono: cada galho despojado traz a promessa do seu futuro rebento! - Duhamelet.”

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