Cultura

Acústica humana

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

No lugar de violões, baixos, guitarras, baterias e outros instrumentos eletrônicos, sons produzidos por palmas, estalos, batidas no peito, sapateado, movimentos de língua e efeitos de voz, além de várias possibilidades de acústica natural tiradas do corpo humano. Assim é formado o som do Barbatuques, grupo musical que se apresenta hoje, às 21h, na área de convivência do Serviço Social do Comércio (Sesc). Às 16h, a banda coordena uma oficina gratuita de percussão corporal, no ginásio do clube.

Existente há oito anos, o Barbatuques é fruto de um trabalho de pesquisa desenvolvido por músicos de São Paulo. O idealizador do grupo, o percussionista Fernando Barba, desde criança já experimentava “tirar” sons do próprio corpo.

Tempos depois, o também percussionista André Hosoi resolveu se juntar a ele iniciando uma equipe de estudos que, além da dupla, é formado por outros 11 integrantes: Bruno Buarque, Dani Zulu, Flávia Maia, Giba Alves, João Simão, Lu Horta, Mairah Rocha, Luciana Persci, Maurício Maas, André Venegas e Renato Epstein.

“É um grupo que, basicamente, faz música com o corpo”, define Hosoi em entrevista por telefone ao Jornal da Cidade. “Achávamos legal o fato de poder tocar algum ritmo sem precisar de instrumento nenhum e descobrimos que, na verdade, o corpo é um instrumento enorme. Assim como algumas pessoas têm mania de ficar batendo o pé, brincamos com a voz e todos os sons naturais”, explica o percussionista.

O estilo musical do Barbatuques - que no início mais parecia uma brincadeira por se inspirar na espontaneidade infantil em fazer sons com a boca, mãos e pés - foi ganhando cada vez mais visibilidade no cenário musical do País.

Em 1999, a banda se apresentou no Instituto Itaú Cultural e a gravação do programa foi exibida várias vezes em canais de TV. A partir daí, os músicos receberam convites para shows, iniciando turnês em Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, entre outras cidades brasileiras, além de apresentações em eventos no Exterior, como no Mercado Internacional de Edição Musical (Midem), em Cannes, na França.

Em 2002, o grupo lançou seu primeiro CD, “Corpo do Som”. O disco, que traz músicas inspiradas em ritmos regionais, como coco, maracatu e baião, e influências da cultura popular brasileira, entre elas o Boi do Maranhão, será uma das bases do show de hoje à noite. “Vamos tocar canções do folclore popular, como ‘O Canto da Ema’ e ‘Onça’”, diz Hosoi.

Segundo o percussionista, além das faixas extraídas do álbum, o repertório inclui novidades. “Vamos mostrar composições que estarão no próximo disco, e também uma parte muito forte do grupo, que é a improvisação”, conta. No palco, o Barbatuques promete fazer um show agitado, misturando sons diferenciados e movimentos corporais. “Não será um espetáculo de dança”. esclarece Hosoi. “Somos todos músicos, mas o corpo também entra em movimento para ‘tocar’”, completa.

• Serviço

Oficina gratuita de percussão e show com o grupo Barbatuques hoje, às 16h e às 21h, respectivamente, no Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750.

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