Tribuna do Leitor

É possível sonhar com os olhos abertos?


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Não temos idéia do tamanho dos nossos sonhos. No entanto, é sabido que em cada ser humano há um sebastianista louco, vislumbrando o Quinto Império e um obscuro Dom Quixote de alma grande. Asfixiado por um pedaço de corda que contém: o peso de todos os determinismos e a dura rotina que a vida nos proporciona, há em cada pessoa uma força que se recusa morrer, mesmo castigada, manipulada pelos veículos de massa e escravizada pela modernidade. É necessário agora resgatar esse idealista que ocultamente somos, mesmo que Dom Sebastião não tome atitude nos nossos sonhos, ou Dom Quixote não queira apresentar a alma grande.

Caso contrário, teremos matado definitivamente o santo e o louco que são o melhor de nós mesmos, senão teremos desistido do paraíso que sonhávamos na infância, para o inferno que permanece nos pesadelos, senão teremos demitido nossas esperanças. O homem libertado num mundo sem fronteiras, a favela da rocinha com casas de concreto e sem nenhum caso de tráfico de drogas. Uma caminhada numa metrópole calma. Socialistas e capitalistas pactuando do mesmo ponto de vista.

E os vestibulandos, todos de um país chamado Brasil, convocados a explorar absurdamente suas faculdades mentais para que, no curso superior que escolheram, possam ter uma carreira invejável. Utopias? Talvez sonhos irrealizáveis de algum poeta menor, mas convicto de que nada vale a pena, se a alma é mesquinha e pequena. (João Assaf Scareli Hadba - RG: 44.019230-6)

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