Thaís da Silveira
Mata atlântica e cerrado são os dois tipos de vegetação nativa que ainda restam em Bauru, restritos a três Áreas de Preservação Ambiental (APAs) que totalizam uma pequena parcela do que havia antigamente.
Pouca gente sabe, por exemplo, que a área verde do Jardim Botânico é composta por mata atlântica e cerrado nativos. Trata-se de uma área de transição em que os dois tipos de vegetação se misturam. Ela faz parte da APA 2, também chamada de APA Vargem Limpa e Campo Novo. O nome é uma referência aos córregos que estão naquela região.
Outra APA de Bauru é a Água Parada, denominada APA 3. Ela fica próxima ao entroncamento entre as rodovias Marechal Rondon e Bauru-Marília, perto das penitenciárias 1 e 2 de Bauru.
Na região do rio Batalha está localizada a APA 1, também conhecida como APA Rio Batalha. Entre as três áreas de preservação de Bauru, é a única composta exclusivamente por mata atlântica. O solo também é um pouco diferente das demais, por ser mais argiloso.
As APAs 1 e 2 fazem parte de uma área de preservação estadual. A lei estadual, de 2001, determina que pelo menos 20% da propriedade devem ser preservados e coibe diversos tipos de atividades no local.
As leis municipais, criadas em 1996, podem restringir ainda mais a lei estadual. “O córrego Água Parada é afluente do rio Batalha e toda a bacia do rio Batalha é considerada área de proteção ambiental estadual”, explica Ivan Ferrazoli, do Instituto Ambiental Vidágua.
A maior parte das regiões de preservação ambiental está em áreas rurais. A que avança um pouco mais na zona urbana é a Vargem Limpa e Campo Novo. Atualmente, há interesses em ampliar o perímetro urbano para ocupar os terrenos das APAs. Só que, nesses locais, o empreendedor teria limites de atuação, inviabilizando financeiramente o projeto.
“As APAs são um privilégio para a cidade porque as áreas estão protegidas por lei, que discrimina o que pode e o que não pode ser feito nesses locais. É um ganho ambiental”, avalia Ferrazoli.
A maior parte dos terrenos que compõem as áreas de preservação de Bauru é particular. “Os proprietários devem ter cuidados. Não pode utilizar certos tipos de agrotóxicos, não pode desmatar, não pode instalar empresa poluidora, não pode trabalhar com resíduos urbanos. Tem várias restrições”, destaca o ambientalista.
Mas as áreas de preservação representam muito pouco do que um dia existiu. “Bauru não está no topo de linha de remanescentes florestais. Houve expansão urbana desenfreada, sem análise das conseqüências disso”, avalia Ferrazoli.
Na opinião dele, a relação do bauruense com o que resta da vegetação nativa da região é muito distante. “Acho que uma pequena parcela da população conhece o Jardim Botânico, por exemplo. Ali tem até veados e tamanduás. Tem uma biodiversidade de pássaros rica. São mais de 200 espécies. Há também répteis e anfíbios em grande quantidade”, afirma.
E a função das APAs é exatamente preservar essa biodiversidade - de plantas e animais -, que influencia diretamente a vida das pessoas na cidade. “As pessoas não atribuem o valor que devem atribuir a essas vegetações”, critica o ambientalista.
Para a geógrafa Linia Maria Bilac Garrone, professora da Universidade do Sagrado Coração (USC), a relação das pessoas com o espaço deveria ser mais afetiva. “Não tão capitalista. Nosso olhar para o espaço é muito predatório. Bauru tem um déficit de área verde e poderíamos ter uma cidade muito mais verde”, observa.