Após os coletores de lixo, ontem foi a vez de professores aderirem à greve deflagrada na segunda-feira pelos funcionários da prefeitura. Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm), a paralisação atinge, pelo menos parcialmente, 30 escolas e creches do município. Para a Secretaria Municipal da Educação, esse número é seis vezes menor.
A diretora do Sinserm, Eliane Koti, não soube quantificar quantos professores deixaram de trabalhar ontem, mas calcula que o número foi, no mínimo, duas vezes maior do que nos dois primeiros dias do movimento. “Apesar da chuva, a adesão foi muito boa”, comenta.
A secretária municipal da Educação, Solange dos Santos Ferreira dos Reis, contesta as afirmações do sindicato. Segundo ela, a paralisação atingiu quatro escolas e uma creche, ainda assim de forma parcial. “Foram poucos os professores que pararam”, declara.
Reis calcula que cerca de 50 profissionais faltaram ao trabalho ontem, mesmo número registrado nos dias anteriores da paralisação.
As escolas visitadas pela reportagem estavam funcionando normalmente ontem à tarde, mas não foi possível dimensionar quantos professores mantiveram as atividades e quantos aderiram à greve.
A possibilidade do movimento ganhar força já deixa os pais de alunos preocupados. “Se houver paralisação, será ruim para as crianças”, afirma Maria Zilda Pereira de Souza.
A opinião é compartilhada pela dona de casa Sandra Lima. “Ainda mais agora que as férias escolares estão se aproximando”, comenta.
Setores
A diretora do Sinserm projeta que o número de funcionários municipais em greve varie entre 25% e 30%. “Nós estamos conscientes de que a adesão deverá crescer ainda mais nos próximos dias. Ainda há setores trabalhando, mas isso não significa que esse quadro não possa mudar”, prevê Koti.
Segunda ela, o próximo setor a cruzar os braços será o da Saúde. “Eles devem nos apoiar a partir de amanhã (hoje) ou sexta-feira”, diz.
Para a prefeitura, apenas 3% dos servidores estão parados, índice que se mantém igual desde segunda-feira.
Os servidores municipais pedem 78% de reajuste salarial, alegando que essa foi a perda da categoria nos últimos cinco anos, e atualização no valor do vale-alimentação, de R$ 132,00 para R$ 200,00. De acordo com o Sinserm, porém, um aumento de 6,5% seria suficiente para colocar fim à greve.
A prefeitura autorizou, em março, reajuste de 8% no salário e 7% no vale-alimentação. A administração afirma que não concederá mais nenhum aumento porque tem 51,4% do orçamento comprometido com a folha de pagamento.
O máximo permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é 54%, mas o prefeito Nilson Costa (PTB) afirma que recebeu alerta do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre a inviabilidade de conceder reajuste quando 95% desse limite é atingido, como ocorre atualmente em Bauru.
O Sinserm contesta a versão da prefeitura, dizendo que a reivindicação dos servidores não configura reajuste, e sim reposição salarial. Nesse caso, de acordo com o sindicato, não haveria problema se a prefeitura ultrapassasse os 51,4% de gastos com pessoal que tem no momento.