“Após uma semana inteira de trabalho, a perspectiva de conhecer uma das regiões mais belas de Minas Gerais era inebriante! E era este o objetivo da Turma da Bike: conhecer a região da Serra da Canastra pedalando. A aventura, em uma van que puxava uma carreta com 11 bicicletas, começou ainda no caminho. Afinal, dos 510 km, a partir de Bauru, cerca de 60 km foram percorridos em estrada de terra até chegarmos em São Roque de Minas, Sudoeste de Minas Gerais.
São Roque de Minas é considerada a porta de entrada para o Parque Nacional da Serra da Canastra e também o berço do rio São Francisco.
Após uma viagem que durou quase oito horas, absolutamente recompensada pelas belas paisagens, chegamos à pousada com o sol levantando-se. Nos recompomos com um delicioso café da manhã e recepção calorosa, bem ao estilo mineiro, no Hotel Chapadão da Canastra, onde a proprietária, dona Renilda, dá show de hospitalidade e simpatia ao atender todos do grupo pelo nome logo no primeiro contato.
Depois foi o tempo de preparar as bikes para colocar os pés na estrada rumo ao Parque Nacional da Serra da Canastra. Bem, os pedais ficaram com os rapazes. Teresa, Talita, Monike (estudante de turismo e quem organizou toda a viagem) e eu fomos no jipe de apoio com guia contratado na cidade.
A primeira subida, ainda no paralelepípedo, é inclemente. É uma pequena amostra do que viria depois: muitas subidas, descidas e paisagens deslumbrantes.
Para quem estava no jipe, a primeira parada foi no centro de informação do parque, onde a dona Ana, carinhosamente, explica tudo sobre o Parque Nacional da Canastra (Parcanastra), a fauna e a flora do cerrado, a vegetação típica da Serra da Canastra. O Parcanstra foi criado em 1972 e tem 71.525 hectares demarcados, sendo o seu grande objetivo a proteção da nascente do rio São Francisco e de animais ameaçados de extinção, como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, o tatu-canastra e o pato mergulhão.
Nossa próxima parada foi a nascente do rio São Francisco. É interessante notar que toda a imensidão do “Velho Chico”, que percorre mais de 3 mil km e banha cinco Estados brasileiros, brota do chão, onde o terreno frágil parece afundar e vai canalizando até formar um riacho. Há no local um monumento que marca a nascente e é, ao mesmo tempo, uma homenagem à São Francisco.
O rio São Francisco começa a se formar e sua primeira grande queda é a Casca D’Anta. Belíssima, cai de uma altura de 180 metros. As águas do “Velho Chico” são cristalinas e convidativas, ninguém resiste. Na região também é possível fazer trilhas (trekking) de dificuldade média. Como explicou Jones, o nosso guia da agência Tamanduá Ecoturismo, o final da tarde é a hora certa para se observar os animais, mas somente um gavião-carcará apareceu para se despedir.
Já no início da noite e 73 km pedalados, a Turma da Bike reuniu-se no hall do hotel para apreciar o famoso queijo da cidade, muito parecido com o queijo branco, mas com um sabor mais forte: o queijo-canastra, cuja produção é uma das principais atividades econômicas de São Roque de Minas.
No dia seguinte, fomos à Reserva Natural da Cachoeira do Cerradão, área transformada em RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural - em agosto de 2001 pelo Ibama. A reserva estabeleceu, com o objetivo de evitar a degradação da área, um limite de 60 visitantes por período e toda vez que esse número é atingido, os turistas têm de esperar na portaria ou agendar a visita para outro dia.
Até a reserva, o número de pedaladas diminuiu para cerca de 12km, mas a beleza do lugar só aumentou. A partir da entrada, são 1.700 metros a pé por uma trilha relativamente fácil até a cachoeira do Cerradão, uma das mais altas da serra com cerca de 202 metros em três lances. Lá, um banho gelado de cachoeira lava a alma e recompõe as nossas energias de uma forma que somente o contato com a natureza nos permite.
A volta para casa aconteceu ao entardecer, com todas as cores do sol poente se definindo no céu para logo começarem a se dissipar, como se luzes que marcam o fim de um espetáculo estivessem se apagando, deixando na memória a beleza de uma natureza vibrante e a certeza de que ainda há muito a ser explorado na Serra da Canastra.”
Kátia Ramanzini é relações públicas e viajou a convite da Turma da Bike.