Entre as obras problemáticas da gestão Nilson Costa (PTB), a ponte Ayrton Senna é provavelmente a que tem causado mais transtornos à população. Em parte pela duração do problema: já são 17 meses de interdição.
Ela obriga motoristas a dar uma volta de vários quilômetros para chegar ao outro lado do rio. Uma das alternativas é seguir pela avenida Rosa Malandrino Mondelli até a rodovia Marechal Rondon e seguir por um dos acessos para a avenida Rodrigues Alves, que vai até o Distrito.
Pedestres, ciclistas e motociclistas, por sua vez, se aventuram por um atalho e uma ponte improvisada com cerca de um metro de largura. O transtorno afeta cerca de 30 mil pessoas que moram na região.
A estrutura da ponte foi construída pela Tofer, empresa de Piracicaba contratada pela Prefeitura de Bauru em 1999. Na época, o trabalho custou R$ 217.472,33, sendo que os aterros da cabeceira foram feitos pela própria prefeitura.
A ponte foi inaugurada às vésperas da eleição que reelegeu o prefeito municipal Nilson Costa. Em pouco mais de dois anos, sua estrutura já apresentou rachaduras, obrigando a interdição.
Na época, a empresa alegou inocência no incidente das rachaduras dos pilares da ponte. Afirmou também que a prefeitura fora previamente informada sobre os erros no projeto original, mas o alerta não teria sido considerado.
A administração municipal, por sua vez, justificou que não houve erro no acompanhamento das atividades, descartando qualquer responsabilidade na fiscalização das obras.
A Justiça concluiu que houve erro no projeto. Os blocos de fundação teriam sido subdimensionados. O projeto fora encomendado pela prefeitura em 1995 ao engenheiro Murilo Villaça Maringoni, morto há alguns anos.
Após 17 meses de gastos da prefeitura com reparos e contratempos com empreiteiras, a população continua esperando a liberação do trecho. Não há previsão para o término das obras.
Além disso, os trabalhos foram prejudicados durante esta semana pela greve dos servidores municipais e a entrega deve sofrer atraso ainda maior.
Avaliação
O engenheiro civil Odir Gil de Souza, conselheiro da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag) de Bauru, é um dos profissionais responsáveis pela peritagem realizada pela Assenag na ponte Ayrton Senna, em 2003.
A conclusão do estudo foi de que havia divergência entre o que foi executado e o que foi projetado. “Não entramos no mérito do cálculo. Seria uma segunda etapa, que foi concluída pelo perito do juiz”, frisa.
Na opinião do engenheiro, o problema decorre de falhas da construtora, na execução, e de falta de fiscalização. “Alguém tinha de fiscalizar. A necessidade é de que haja um casamento muito perfeito entre a empresa contratada e a fiscalização efetiva. Isso é normal. Havendo fiscalização em todas as etapas, a probabilidade de haver erro é menor”, afirma Souza.
Ele também fala sobre a avaliação do preço cobrado pelas empreiteiras nas licitações. “Às vezes a gente paga barato e sai caro. Se você sabe que custa dez e aparece alguém querendo fazer por cinco, você desconfia. Não varia muito das compras domésticas. Uma lingüiça puríssima por R$ 0,50 é motivo de desconfiança. É questão de bom senso”, diz.
“Como cidadãos, esperamos do órgão público que tenha cuidado (com o dinheiro público)”, acrescenta o profissional.