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Normalização da coleta do lixo levará cinco dias

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 5 min

Cinco dias é o tempo estimado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) para recolher as mais de 1.100 toneladas de resíduos que se acumularam nas ruas da cidade durante os oito dias de paralisação dos coletores de lixo. Todas as 25 equipes de coleta do município voltaram às atividades ontem. Durante a greve, apenas oito delas estavam trabalhando diariamente.

O diretor de Limpeza Pública da Emdurb, José Carlos Cunha Bastos, revela que os coletores sairão às ruas normalmente amanhã, durante o feriado, e na sexta-feira, embora a prefeitura tenha decretado ponto facultativo neste dia. Eles terão folga apenas no domingo.

A carga horária dos servidores da coleta é de seis horas por dia. Bastos calcula, porém, que eles irão trabalhar de oito a nove horas até que a situação se normalize. “Vou pedir a colaboração deles para que a gente possa recuperar o tempo perdido”, relata. Ele garante, no entanto, que a Emdurb pagará todas as horas-extras que forem feitas.

O diretor de Limpeza Pública esclarece, ainda, que se o caminhão de lixo lotar antes do término da coleta em determinado setor, o veículo irá até o aterro para descarregar o material e voltará ao bairro para continuar o serviço.

A Emdurb recolhe, em média, 210 toneladas de lixo por dia. Com a paralisação, apenas 30% dos resíduos estavam sendo coletados, índice mínimo exigido pela lei para os casos de serviços essenciais.

Ontem pela manhã, enquanto a assembléia dos coletores era realizada, cinco equipes saíram para trabalhar, como vinha sendo feito desde que a greve teve início. Com a decisão dos trabalhadores de encerrar a paralisação, outras 11 equipes fizeram a coleta à tarde e nove sairiam à noite. Hoje, 61 bairros serão visitados pelos caminhões de lixo da Emdurb. Os demais serão atendidos pela coleta amanhã.

O diretor de Limpeza Pública da Emdurb espera, também, seguir contando com a ajuda da população. “Continuamos pedindo para que ela não coloque na rua o lixo que pode ser reciclado, pelo menos até a próxima semana”, declara.

Nos oito dias de paralisação, quem não quis deixar o lixo na rua foi obrigado a guardá-lo dentro de casa. Foi o caso do aposentado José Carlos D’Agostino, que acumulou dez sacos com resíduos no quintal de sua residência. “Estou colocando o material na rua hoje (ontem), porque soube que os coletores encerraram a greve”, relata.

Ele afirma que já estava preocupado com a possibilidade do movimento se estender por um período mais longo. “Com o sol forte, o lixo começaria a cheirar mal e atrairia moscas”, projeta.

A dona de casa Adriana Souza Ragonezi também teve que deixar os sacos de lixo depositados no quintal. Ela culpa a administração municipal pelo incômodo. “Houve descaso e falta de atenção com os trabalhadores e com a população. Eles precisam reivindicar melhores salários e nós não podemos ficar sofrendo com essa situação”, protesta.

Ela acredita que a greve serviu, ao menos, para mostrar a importância dos servidores responsáveis pela coleta. “Tenho certeza que as pessoas passarão a vê-los com outros olhos”, opina.

Embora a Emdurb garanta que a coleta de resíduos hospitalares não tenha sofrido atrasos em função da greve, os hospitais de Bauru também tiveram que acumular parte do lixo comum durante a paralisação. A estimativa é que, juntos, eles produzam cerca de seis toneladas de detritos diariamente.

Cancelamento

A volta dos servidores da coleta ao trabalho também fez com que a Emdurb desistisse de contratar temporariamente uma empresa terceirizada para garantir o recolhimento de todos os detritos gerados no município.

A Emdurb havia comunicado que faria a contratação caso a assembléia realizada ontem definisse a continuidade do movimento grevista. Uma empresa de Cubatão foi a que apresentou o menor preço para realizar o serviço, R$ 64,00 por tonelada, entre as que foram consultadas. A proposta das demais variou entre R$ 65,00 e R$ 68,00.

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) era contra a terceirização de parte do serviço por entender que a medida obstruía o direito de greve dos coletores.

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Obras

O fim da paralisação dos servidores municipais também irá possibilitar a retomada de outros serviços que foram interrompidos devido à greve, como a recuperação da ponte Ayrton Senna, que liga a região do Núcelo Mary Dota ao Distrito Industrial 1, e o recapeamento da avenida Antenor de Almeida, ao lado do Jardim Colonial.

Embora a adesão dos funcionários da Secretaria Municipal de Obras ao movimento tenha sido pequena, o titular da pasta, José Ângelo Padovan, alega que a paralisação atingiu alguns funcionários que são fundamentais para a execução de determinados serviços e que não podem ser substituídos.

No caso da ponte Ayrton Senna, Padovan afirma que a reforma será reiniciada hoje. Já em relação ao recapeamento da avenida Antenor de Almeida, ele explica que os trabalhos já foram retomados ontem à tarde. A obra é importante para que a via suporte o tráfego intenso de veículos durante a interdição da avenida Luiz Edmundo Coube, que está sendo duplicada.

O secretário acredita, ainda, que a recuperação da avenida Rodrigues Alves deverá ter continuidade na próxima semana. “Antes, porém, precisamos definir um grupo que possa ficar trabalhando no mesmo local durante quatro ou cinco dias”, comenta.

Uma das pistas da quadra 10 da avenida, no sentido Nações Unidas/Falcão, teve parte do pavimento trocado há cerca de dez dias. O próximo ponto que será atacado pela prefeitura é justamente a pista contrária da mesma quadra.

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