Funcionários do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (Centrinho/USP) e professores da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) decidiram ontem deflagrar greve a partir da próxima segunda-feira. Com isso, os serviços nas clínicas da FOB ficam suspensos, sendo mantidos apenas os atendimentos de urgência.
O movimento vem engrossar a greve iniciada pelas universidades públicas paulistas há 20 dias, da qual participa a Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. A principal reivindicação é de reajuste salarial de 16% para docentes e servidores. Segundo a assessoria de imprensa do Centrinho, a direção do hospital acatou a decisão de greve.
De acordo com a assessoria, o atendimento à população será mantido no hospital com o mínimo de 30% do efetivo, conforme determina a Constituição Federal para instituições que prestam serviços considerados essenciais, mas que na prática o percentual deve ficar acima disso. Contudo, o comando de greve do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) afirma que o atendimento ao público será prejudicado.
“Os servidores que não aderirem à greve irão trabalhar normalmente, e o mínimo de 30% do efetivo será mantido. Mas certamente o atendimento no hospital ficará prejudicado, pois a nossa intenção é mobilizar os servidores que ainda estão de fora da greve para engrossar o movimento. É uma forma de pressionar o Cruesp a negociar e sair da proposta de reajuste zero”, diz Elaine do Amaral Godoi, diretora do Sintusp.
Em nota oficial, a Comissão para Orientação do Movimento Grevista da FOB/USP diz o seguinte: “Entende a comunidade da FOB que as reivindicações motivadoras do movimento grevista são justas e coerentes com as relações entre as partes envolvidas. Esclarecemos que os serviços de atendimento de pacientes nas clínicas da FOB/USP estão suspensos, assim como as atividades didáticas. Somente serão atendidos os casos de urgência.”
Segundo a assessoria de imprensa do Centrinho, a assembléia de ontem que deliberou pela greve teve a assinatura de 147 servidores - 36% do efetivo USP do hospital, que é de 428 funcionários.
Os professores da FOB farão uma nova assembléia na segunda-feira, às 10h, para avaliar os rumos do movimento. A prefeitura do câmpus administrativo de Bauru não realizou assembléia. A greve não atinge a Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf).
Juntas, as três unidades do câmpus da USP em Bauru possuem 741 servidores contratados diretamente pela universidade. Somente na Faculdade de Odontologia são 95 docentes e 196 funcionários, de acordo com a assessoria de imprensa.
Impasse
Desde que a greve das universidades públicas foi iniciada, já houve quatro rodadas de negociação entre o Fórum das Seis - entidade que congrega os sindicatos de docentes e funcionários da Unesp, USP e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - e o Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp).
Mas enquanto a categoria pede reposição salarial de 16%, o Cruesp acena com 0% e uma política salarial muito aquém do esperado pelos grevistas, que inclui um redutor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) acima do que estaria previsto para o Estado arrecadar, segundo a direção da Associação dos Docentes e Servidores da Unesp (Adunesp).
O Cruesp alega, ainda, comprometimento da folha de pagamento das universidades, o que impediria o avanço na proposta de reajuste salarial. Já o Fórum das Seis contesta dizendo que a arrecadação de ICMS cresceu nos quatro primeiros meses deste ano em comparação com o ano passado.