Cerca de 400 litros de álcool anidro vazaram de uma caixa de plástico que estava sendo transportada por uma Kombi, na quadra 7 da rua Conselheiro Antônio Prado, no Higienópolis, no início da noite de ontem. O combustível escorreu sobre a guia por três quadras, até a avenida Nações Unidas, com risco de explosão. Um vazamento semelhante causou a explosão de trecho da Nações em 1976, quando o então presidente da República Ernesto Geisel visitava Bauru.
A ação rápida dos moradores e do Corpo de Bombeiros, que jogaram água na rua para misturar-se ao álcool, evitou uma possível explosão, afirma Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil. “O álcool escorreu até a Nações e iria cair na tubulação de água pluvial, desenhando-se um quadro semelhante ao que levou à explosão da Nações em 76”, comenta.
Por precaução e para facilitar o trabalho dos bombeiros, a Polícia Militar interditou por cerca de uma hora e meia ao local do vazamento até a Nações Unidas. O Corpo de Bombeiros gastou cerca de 8 mil litros de água para diluir o álcool e lavar todo o trecho da rua por onde o combustível escorreu.
Mas antes da chegada dos bombeiros, alertados pelo forte cheiro de álcool, os moradores entraram em ação. “Com mangueiras, jogamos àgua para diluir o álcool. Todo mundo saiu de casa para ver o que estava acontecendo porque o cheiro era muito forte”, relata Abel Dias, que mora na quadra 7.
Ele conta que lembrou da explosão da Nações Unidas em 1976 e teve medo de um outro acidente. “Ficamos com medo sim de explosão. Ficou só um pouquinho de álcool no galão”, completa.
O combustível vazou porque a torneira de saída do galão rompeu-se, de acordo com o registrado em boletim de ocorrência. O motorista, cujo nome não foi divulgado pela polícia, ao ver o combustível inundando o veículo, abriu as portas da Kombi.
O galão comportava 1 mil litros, mas segundo o motorista declarou à polícia, estava com cerca de 500 litros de álcool. O produto estava sendo transportado na Kombi de um posto de gasolina para outro, segundo o motorista relatou à polícia.
O delegado Adriano Crês, de plantão ontem à noite, registrou boletim de ocorrência para averiguar possíveis irregularidades no transporte e pediu à Polícia Técnica análise do produto. “O transporte de derivados de petróleo é disciplinado pela Lei 876, de 2001. Em se tratando mesmo de derivado de petróleo, havia irregularidade no transporte”, diz.
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Acidente de 1976
A explosão do trecho da avenida Nações Unidas ocorreu no dia 13 de agosto de 1976, quando o então presidente da República Ernesto Geisel havia acabado de deixar a cidade. O canteiro central da avenida, entre o Parque Vitória Régia e a avenida Rodrigues Alves, ficou destruído.
Labaredas de fumaça surgiram no céu, mobilizando o Corpo de Bombeiro e a polícia. Vidraças das casas, a centenas de metros, tremeram. A princípio, a população acreditou que se tratasse de um tremor de terra. Depois verificou-se que ocorrera uma explosão provocada pelo tombamento de um caminhão-tanque, próximo do Parque Vitória Régia.
No entanto, foi cogitada a possibilidade da explosão ter sido obra de um atentado contra o presidente. Na verdade, o acidente ocorreu porque o caminhão tombou e começou a vazar gasolina, que acabou canalizando para dentro da galeria pluvial da Nações Unidas, onde corre o ribeirão das Flores.
O processo resultou na formação de gazes que provocaram as explosões. Em questão de minutos a Nações estava destruída. Estimou-se que cerca de 20 mil litros de combustível foram canalizados para a avenida. Não houve vítimas fatais.
O presidente, em seu trajeto pela cidade, havia passado por toda a área central do município. Mais tarde, o presidente Geisel ficou sabendo da destruição da avenida e liberou uma verba para a reconstrução da via.