Bairros

Paciente leva 7 meses para diagnosticar leishmaniose

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou ontem o 8.º caso de leishmaniose visceral humana registrada em Bauru neste ano e a 15.ª ocorrência da doença em 2003. Embora os dois casos tenham entrado para as estatísticas nesta quarta-feira, um deles está sendo contabilizado no ano passado porque o paciente começou a apresentar os primeiros sintomas em dezembro.

Por sete meses, o rapaz de 29 anos que reside no Jardim Gérson França tentou curar uma anemia, mas estava infectado pela doença. O diagnóstico correto saiu após a realização de três mielogramas (exame que punciona a medula óssea). A dificuldade na qualificação da enfermidade foi confirmada pela diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Maria Helena Abreu.

De acordo com ela, a leishmaniose também pode ser confundida com a leucemia, um câncer das células da medula óssea. Por essa razão, um outro paciente de leishmaniose, que acreditava sofrer de leucemia, chegou a entrar na fila de transplante de medula antes de receber o diagnóstico correto.

“As doenças são muito parecidas. Elas são debilitantes e provocam queda das células brancas e vermelhas do sangue, além das plaquetas. Também podem causar aumento do baço e do fígado”, informa Abreu. Reitera a informação o médico infectologista Fernando Monti, que acompanhou dez casos da doença tratados no Hospital Estadual de Bauru Arnaldo Prado Curvêllo.

“Mesmo manifestando os sintomas, (o diagnóstico) depende do grau de infestação. Quando se confunde o diagnóstico, o paciente pode ser tratado por outra coisa. Ele fica mais suscetível. Se confundirem com a leucemia, por exemplo, vão administrar uma droga que provoca imunodeficiência, quando o paciente deveria ter a melhor integridade possível do sistema imunológico”, diz Monti.

Segundo ele, quanto mais tarde for a identificação da doença, maior será a repercussão dela no organismo do paciente, o que não significa necessariamente dificuldade na recuperação, processo que depende caso a caso.

Para evitar esse tipo de problema em função da identificação tardia da leishmaniose, a administração municipal tem promovido reuniões de treinamento com médicos e enfermeiros para que eles sejam alertados sobre os sintomas da leishmaniose.

“Os médicos precisam se informar, principalmente os clínicos. Estou formado há 25 anos e nunca vi um caso em humano (da leishmaniose), só na literatura. É um problema recente (a epidemia da doença em Bauru)”, comenta o conselheiro do Conselho Regional de Medicina (CRM), urologista Carlos Alberto Monte Gobbo. Para ele, alguns profissionais da saúde ainda não incluíram a leishmaniose entre as doenças a serem diagnosticadas.

A enfermidade é transmitida a cães e humanos através da picada do mosquito palha infectado. Ela atinge preferencialmente o fígado, o baço, os gânglios e a medula óssea, provocando processo infeccioso e anemia, que pode reduzir as chances de vida do paciente.

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