Pesca & Lazer

História de Pescador: Nene Balaio


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Nos idos das décadas 60 e 70, durante a minha juventude, vivi a minha melhor fase na querida cidade de Avaí, que era cercada de uma natureza espetacular, formada pelos rios Batalhinha, Anhumas, Jacutinga, Batalha, etc. Este último era o mais famoso e o mais procurado pelos pescadores de Avaí e das cidades vizinhas.

Naquela época, eu também adorava pescar, tinha também a minha tralha e também a minha canoa, a qual todo santo dia eu riscava o Batalha pescando os meus lambaris.

Era comum todos os dias encontrar nas margens do Batalha a companheirada de Avaí: Carlito Venancio, o meu irmão Zeca, Orlando Forti, Manoel Procópio, Venancio Soldado, o delegado Julio, Nene Balaio...

Deste último que eu gostaria de falar, pois o mesmo chamava Sebastião Alves, era irmão do Julio Alves, o Julinho do 4I, chefe daquela estação da NOB. E por que então o apelido Nene Balaio.

Bom, segundo os companheiros falaram, é que ele adquiriu esse apelido por ser um excelente pescador e também caçador de codornas. Por pegar muitos peixes ou caçar muitas codornas, ele, na verdade, como se dizia na época “enchia o balaio” e daí veio o apelido Nene Balaio.

Me lembro bem da figura do Nene Balaio, indo ou voltando das pescarias sempre bem vestido. Chegando à beira do rio Batalha não escolhia local. Onde ficasse pescando era certeza de encher o seu “samburá” de lambaris, piaus e piaparas. Era impressionante, o mesmo permanecia por horas no mesmo lugar, de cócoras, e fumando o seu inseparável cigarrinho de palha.

Isso para mim não tinha explicação, pois por muitas vezes sentei ao seu lado tentando imitá-lo, usava da mesma isca e nada de peixes. O que me consolava era assisti-lo a fisgar um peixe atrás do outro.

Hoje, eu já não pesco mais. O meu querido rio Batalha está agonizando, pois está sem água e os peixes desapareceram. Assim, eu só sinto tristeza em vê-lo nesse estado terminal.

Felizmente, o Nene Balaio não viu essa calamidade, pois o mesmo já foi embora dessa vida. Mas hoje, Nene, descobri por que você fazia jus ao seu apelido. Você além de tralha boa, tinha o que todos pescadores teriam que ter: perseverança e paciência.

Descanse em paz Sebastião Alves, o nosso querido Nene Balaio.

Sergio Andrade Moreira pescador e contador de história.

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