A 20 dias do prazo final para os partidos comporem suas chapas majoritárias (prefeito) e proporcionais (vereadores), o PT articula diariamente nos bastidores políticos em busca de uma composição que possa render um nome de vice. Segundo a presidente da executiva municipal do partido, Estela Almagro, as conversações ocorrem em várias frentes. As investidas apontam para o PSB, PFL e PTB, principalmente.
A exceção de Tuga Angerami (PDT) – que anunciou dobradinha com Renato Purini (PMDB) – e Caio Coube (PSDB) – que terá como vice o médico Fernando Monti (PL) -, os oito pré-candidatos a prefeito estão indefinidos na chapa majoritária. São eles: Antonio Carlos Barbosa (PHS), Antonio Sérgio Marsola (PPS), Clodoaldo Gazzetta (PV), Dudu Ranieri (PFL), a própria Estela, Luiz Carlos Valle (PSB) e Sandro Fernandes (PSTU). O Prona decidiu que terá candidatura própria, mas o nome ainda não foi anunciado.
Para a dirigente petista, o quadro da sucessão municipal está indefinido. “Não acredito que nenhum quadro está estável. Acho que tudo ainda é conversável. Todos podem conversar com todos, salvo restrições particulares. Eu continuo trabalhando com aquela frase: a política é dinâmica. No atual quadro, nada está definido”, afirma.
Dos partidos citados por ela, todos têm pré-candidaturas a prefeito. O PSB já sinalizou que disputará a eleição com o vereador Luiz Carlos Valle. A convenção da legenda está agendada para amanhã, mas a ata ficará aberta para composições que possam ser concretizadas até o dia 30. O PFL também caminha para candidatura própria.
Comandado pelo vice-prefeito Dudu Ranieri, os pefelistas estão animados com o apoio que deverão receber da cúpula estadual e nacional. O PTB, neste momento, está fechado com a candidatura do ex-chefe de Gabinete da Prefeitura, Antonio Sérgio Marsola (PPS). Mas encontra resistência no campo proporcional. O PPS não está disposto a caminhar junto com os petebistas na disputa à Câmara Municipal.
Até mesmo com o PSDB, que tem como pré-candidato o empresário Caio Coube, o PT tem trocado diálogo, embora seja praticamente descartável uma composição com os tucanos. “Se chegarmos no dia 30 e essas costuras não frutificarem em um eventual vice, minimamente essas conversações surtirão em acordos amarrados para um eventual segundo turno. Por isso continuo afirmando que o quadro só será realmente definido no dia 30, às 18h”, reforça Estela. A data é o prazo final para os partidos apresentarem à Justiça Eleitoral o registro de seus candidatos.
Questionada sobre a aproximação com o PFL – partido tradicionalmente conservador e que faz oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, a dirigente petista argumenta que tem “bons amigos” na legenda. “Eu acho que uma relação de cordialidade e de respeito pode provocar revisão no debate e discussão das divergências. Nós podemos ter posições antagônicas ao PFL, mas não precisamos ser declaradamente inimigos no cenário municipal”, justifica.
O rompimento da aliança PDT/PT – que tinha como projeto político o lançamento da dobradinha Tuga/Estela – é um episódio superado pela presidente do partido. Na avaliação dela, o PT não saiu totalmente prejudicado da situação. “Todo tipo de quebra de acordo atrapalha. Mas prejudica mais quem quebra do que aquele que se vê do lado do acordo que foi quebrado. Isso nos fortaleceu. Nos vimos acordados para o processo eleitoral. Ficamos mais alerta nas negociações”, garante Estela.