Desde que o automóvel foi inventado, namorar dentro dele é uma tradição que atravessa gerações e atrai um número de admiradores impossível de se precisar. Mas, independente para qual finalidade o veículo é utilizado, o certo é que ele também é capaz de desencadear paixões e dar impulsos decisivos no relacionamento entre as pessoas.
Exemplo disso ocorreu com o casal bauruense Afonso Carlos Telles Nunes e Christiane Leite Nitsch. Namorados há oito anos, a história de amor entre ambos está diretamente ligada aos veículos, principalmente os jipes. “Se não fosse por eles, jamais teríamos nos conhecido, muito menos começado uma ligação afetiva”, ressalta Afonso.
Ele e Christiane explicam os porquês disso. Uma das razões é a paixão dos dois pelos “jipinhos”, grande responsável pelo surgimento da amizade entre eles. “Sempre gostei de carros, principalmente os 4x4, e participei das trilhas entre os jipeiros, das quais ela também costumava ir junto com o irmão”, recorda Afonso.
E era justamente durante a realização das aventuras off-roads que ele aguardava as chances “de ouro” para conversar com Christiane: quando ela ia de carona no jipe de Afonso. “Isso ocorria nas vezes em que o veículo do irmão dela ia lotado e eu, claro, oferecia para ela ir comigo. Era a oportunidade para jogar o xaveco”, confessa.
Com o estreitamento da amizade provocado pelas trilhas, Afonso passou a freqüentar a casa de Christiane com um objetivo duplo: ver a futura namorada e, especialmente, “fuçar” no jipe do irmão dela. “Ela me dava a maior força e até ajudava a lavar o carro”, relembra.
Entretanto, o relacionamento dos “ainda” apenas amigos esfriou quando Christiane mudou-se para São Paulo para estudar. “Isso coincidiu com uma pequena briga entre nós, o que nos fez perder completamente o contato e, quase, a amizade”, conta ela.
Vai ou racha
Mas, no melhor estilo Cazuza de “nossos destinos foram traçados na maternidade”, Afonso e Christiane voltaram a se encontrar em uma feira off-road de jipes em São Paulo. “O evento era grande e duraria quase uma semana, mas coincidentemente estávamos no local no mesmo dia e horário. Trocamos olhares e ali senti algo diferente. Foi incrível”, recorda Afonso.
Pouco tempo depois deste encontro e para felicidade do rapaz, Christiane voltou a morar em Bauru para ajudar na administração de um posto de combustíveis que o pai havia aberto na cidade. Com isso, não demorou para Afonso decidir-se que só ficaria sossegado se começasse a namorá-la.
“Desde aquela troca de olhares no evento na Capital não parava de pensar nela e, quando a Christiane voltou para cá, senti que era o momento de lutar definitivamente por ela”, enfatiza Afonso. Para isso, sua estratégia de reaproximação partiu do princípio de “conquistar o pai para ganhar a filha”. “Saí até para jantar e bater papo com ele”, conta.
Desta forma, paulatinamente Afonso foi reconquistando o coração de Christiane e de sua família até chegar o dia do “vai ou racha”. “Tomei coragem e coloquei até terno para pedir a autorização do pai dela para namorá-la”, frisa Afonso, rindo. E acrescenta: “Surpreso, ele logo foi falando que tinha certeza que eu e ela devíamos estar aprontando algo.”
Assim, quatro anos após conhecerem-se, finalmente ambos começaram a namorar, período que o casal diz lembrar com saudades. “É muito gostoso”, enfatiza Christiane. “Agora a gente não tem mais aqueles friozinhos na barriga causados pelas incertezas se as tentativas de namoro iam dar certo ou não”, conclui Afonso.
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'Balada' e cooper atraente
De uma forma ou de outra, os automóveis sempre acabam dando uma de “cupido” entre as pessoas. Prova de que isso não é exagero são os casos dos casais bauruenses Adriano da Costa Gianesi e Camila Wenceslau Alvarez e Ângelo Pereto e Magda Magali Martins Costa Pereto.
O namoro de Camila e Adriano começou a tomar forma há quatro anos, durante uma “balada” de final de semana. “Um amigo deu carona para a gente ir a uma festa. Ele parou o carro para ir em um lugar e ficamos sozinhos lá dentro conversando. Foi quando rolou o primeiro beijo”, conta Camila. “Até hoje lembramos com saudade de como tudo ocorreu”, acrescenta.
Já o “affair” de Ângelo e Magda, atualmente casados, iniciou-se há mais de 20 anos na Capital paulista, quando ele dirigia um jipe 1950 em direção à Universidade de São Paulo (USP) para jogar bola. Durante o caminho, avistou aquela que seria sua futura esposa fazendo cooper. “Gostei do jeitinho que ela andava. Dei a volta e encostei o carro para conversar com ela”, recorda.
O fruto do papo trocado foi um pedido de novo contato através do telefone, ligação que Ângelo precisou ter paciência para aguardar. “Passei meu número no começo de junho e ela só foi ligar em setembro”, revela ele, rindo. “Acho que nesse tempo ela tentou encontrar alguém melhor que eu e, como não conseguiu, arriscou comigo”, brinca.