Polícia

Golpe lesa quem precisa de emprego

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A falta de emprego e a dificuldade financeira deixam mais suscetíveis a golpes as pessoas que procuram novas oportunidades para ganhar dinheiro por meio de trabalhos extras.

Duas operadoras de caixa que trabalham num estabelecimento comercial da cidade, que preferiram ficar no anonimato, perderam pouco mais de R$ 10,00 ao se empolgarem com a promessa de ganhos de até R$ 1.500,00 com serviço para envelopar circulares.

“Uma colega minha leu (sobre o tal método de trabalho). Como trabalhamos durante o dia, decidimos dividir o serviço. Eu me interessei porque seria uma forma de complementar a renda. Tenho filho na faculdade. Até a minha sogra topou me ajudar”, justifica.

Conforme a orientação veiculada no impresso, elas enviaram para o endereço indicado uma correspondência com dois selos postais. Depois receberam uma circular solicitando uma taxa de R$ 10,00 para que recebessem outras informações sobre o trabalho.

Foi a partir daí que tiveram acesso ao material informando que o modo para receber recompensa financeira seria o mesmo cumprido por elas. As duas ficariam integralmente com a taxa remetida a uma caixa postal por outros interessados no trabalho.

“Foi uma decepção. Acho injusto porque tem gente que está desempregada e acaba desembolsando dinheiro. O objetivo é fazer um alerta”, esclarece uma delas, que não procurou a delegacia de polícia para registrar a ocorrência.

No entanto, de acordo com o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J.Cardia, esse golpe é antigo e tem variações. “Uma delas (das variações) promete explicar sobre fabricação de sabonetes. Não temos muitos registros (do golpe), mas vez por outra aparece um caso”, explica.

Segundo o delegado, a pessoa que praticar “esse tipo de método de trabalho” pode responder processo por estelionato, cuja pena prevê de um a cinco anos de reclusão. Por essa razão, as vítimas devem procurar a polícia para registrar a ocorrência, também recomenda o procurador do Ministério Público do Trabalho, Rogério Rodrigues de Freitas.

“As pessoas devem sempre desconfiar de ofertas milagrosas. Eu não vislumbro (nesse método) uma relação empregatícia - que inclui subordinação, pagamento de salário e pessoalidade (quando o empregado tem de ir até o local de trabalho para exercer a atividade). Para contratar, o empregador não exige quantia em dinheiro”, observa ele.

Mesmo assim, o diretor regional da Secretaria das Relações do Trabalho (Sert), Alexandre Ciro Perin Bertoni, compreende a facilidade da população em “cair na armadilha”. “As pessoas estão se apegando a qualquer coisa (inclusive a serviços obtidos via correio)”, comenta.

A assessoria de imprensa dos Correios alerta que a empresa não transporta dinheiro, sob pena de submeter o destinatário ou o remetente a uma multa de R$ 18,00. Para evitar o problema, as vítimas do golpe são recomendadas a preencher um vale postal (espécie de cheque, em que o remetente retira a verba numa agência dos Correios), constatou o JC.

Comentários

Comentários