Quatro dias após o fim da greve dos coletores de lixo, a presença de detritos acumulados nas ruas da cidade ainda incomoda parte dos moradores em diversos bairros. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) estima que o serviço de coleta só estará normalizado a partir de segunda-feira.
A dona de casa Suzete Vieira Tavares, que mora na quadra 5 da rua Antônio Guedes de Azevedo, na Vila Industrial, reclama que o caminhão de lixo não visita o local há mais de dez dias. “Eles já passaram em outras ruas do bairro, mas aqui, até agora, nada”, protesta.
Ela conta que, em função disso, tem sido obrigada a deixar os sacos de lixo com material orgânico dentro de casa. “Se colocar na rua, os cachorros reviram tudo”, argumenta.
Durante os oito dias de paralisação, os coletores deixaram de recolher mais de 1.100 toneladas de resíduos, já que apenas 30% das 25 equipes da Emdurb estavam trabalhando, índice mínimo exigido pela lei nos casos de serviços essenciais.
Feriado
Para tentar recuperar o atraso, a empresa municipal ignorou o feriado prolongado e os coletores saíram às ruas normalmente nos dois últimos dias, procedimento que será repetido hoje.
Além disso, os servidores da coleta estão orientados a fazer hora-extra para que possam percorrer a maior quantidade possível de ruas em cada setor. Com isso, estão cumprindo uma carga horária de oito a nove horas, no lugar das tradicionais seis horas de trabalho.
Os cerca de 100 coletores municipais entraram em greve na segunda-feira da semana passada para apoiar o movimento iniciado pelos servidores da prefeitura, que pediam 6,5% de reajuste salarial e outros benefícios.
Após audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), eles acataram a sugestão do órgão para que retomassem suas atividades e montassem uma comissão para discutir os salários com a prefeitura, que se comprometeu, por sua vez, a não descontar os dias parados.