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Greve interrompe atividades na FOB

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

O movimento grevista que atinge as universidades públicas estaduais ganhou ontem a adesão dos funcionários e professores da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP). Com isso, todas as aulas e o atendimento clínico prestado no câmpus foram interrompidos por tempo indeterminado. No Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho), a adesão foi de 20%, segundo o comando de greve.

Enquanto a paralisação persistir, os 95 professores e 196 funcionários da FOB irão atender apenas os casos de urgência odontológica. Anteriormente, o movimento já havia atingido as unidades da USP em São Paulo, Ribeirão Preto, Piracicaba, Pirassununga e São Carlos.

Os servidores da USP, Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) reivindicam 16% de reajuste salarial, mas o Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp) alega que, no momento, não é possível conceder nenhum aumento.

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Elaine do Amaral Godoi, afirma que a paralisação deve durar no mínimo até sexta-feira, data em que será realizada mais uma rodada de negociações entre o Fórum das Seis - entidade que reúne os sindicatos de docentes e funcionários das três universidades - e o Cruesp.

Embora as quatro reuniões anteriores não tenham resultado em avanços, ela está confiante de que na sexta-feira será diferente. “Estamos apostando que o Cruesp irá apresentar alguma proposta de aumento”, declara.

Ela lembra que os grevistas têm pressa em chegar a um acordo, já que a lesgislação eleitoral impede reajustes para o funcionalismo público a partir de 3 de julho. “Temos que intensificar o movimento, porque senão nossa negociação vai por água abaixo”, destaca.

Centrinho

Além de paralisar as atividades da FOB, Godoi calcula que o movimento iniciado ontem também foi capaz de mobilizar cerca de 20% dos 428 funcionários do Centrinho. “É uma adesão pequena, mas que respeita o nosso compromisso de atender os pacientes que haviam feito agendamento”, argumenta.

A direção do hospital não divulgou quantos servidores deixaram de comparecer ao trabalho. Informou, apenas, que os serviços foram prestados normalmente.

A diretora do Sintusp acredita que os servidores do hospital irão se integrar ao movimento gradativamente. “Deveremos ter uma adesão de 50% a partir de amanhã (hoje). O agendamento de pacientes já foi, inclusive, reduzido. Do jeito que estamos trabalhando, chegaremos a 70%, que é o máximo que a legislação permite nos casos de serviços essenciais”, comenta.

Ela afirma que o comando de greve espera a compreensão dos pacientes do hospital e de seus familiares caso a adesão à paralisação aumente. “A tendência é que um ou outro reclame, mas estamos apostando que haverá um entendimento por parte deles. Iremos priorizar o atendimento às pessoas que vêm de longe”, declara.

Para a podóloga Maria Ester, que esteve ontem à tarde no Centrinho para acompanhar a cirurgia da filha, os servidores do hospital têm todo direito à greve, desde que o movimento não atrapalhe o atendimento emergencial. “Acho que na área da saúde é complicado parar totalmente. É preciso fazer um rodízio entre os funcionários”, sugere.

A autônoma Mônica Macedo, madastra de um paciente do hospital, concorda com a reivindicação dos servidores. “O Brasil está passando por uma crise e quem trabalha necessita de um ganho melhor”, opina.

Os funcionários da prefeitura do câmpus devem aderir à greve a partir de hoje. A previsão é que apenas os serviços essenciais, como segurança, coleta de lixo contaminado e eletricidade, sejam mantidos.

O movimento não deve, porém, afetar o funcionamento da Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf), cujos funcionários são ligados a outro sindicato.

Em Bauru, a greve das universidades públicas do Estado também atinge o câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Servidores e funcionários estão de braços cruzados desde o dia 22 de maio.

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Comemoração

A adesão de parte dos funcionários do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (Centrinho/USP) à greve coincide com o ínicio da programação de aniversário da instituição.

Segundo a assessoria de imprensa do Centrinho, as comemorações serão mantidas independentemente do movimento.

Durante toda a semana, serão desenvolvidas atividades especiais no hospital, como a exibição de filmes, quadrilha junina, teatro e brincadeiras. No dia 27, um evento programado para o Parque Vitória Régia marcará o encerramento dos festejos.

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