Cultura

Rock gigante

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Lembrar do Capital Inicial como a banda que renasceu das cinzas após cinco anos fora do ar é perder tempo. O grupo, formado em Brasília no início da década de 80 e baseado em São Paulo há muitos anos, já não precisa provar que a retomada da carreira foi pra valer, nem que ainda é capaz de fazer bom rock ‘n’roll.

O álbum “Gigante!”, lançado no final de maio pela Sony, atesta que o Capital continua a ser uma das grandes bandas de rock do País. Isso deve ficar evidente no show da nova turnê que o grupo faz hoje em Bauru, a partir das 23h, na Cervejaria dos Monges, segundo o guitarrista Yves Passarell.

Ao lado de Dinho Ouro Preto, Fê e Flávio Lemos, ele deve apresentar as recentes “Sem Cansar”, “Instinto Selvagem” e “Respirar Você”, sem esquecer hits antigos como “Natasha” e “Tudo que Vai”, entre outros. O guitarrista, que entrou para o grupo em 2002, após a saída de Loro Jones, falou ao JC sobre o novo trabalho e o show. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - Por que o disco se chama “Gigante!”?

Yves Passarell - É um boneco que foi feito na Inglaterra que está atrás da capa do disco. Ele é o gigante, que nós vamos levar para os shows, mais ou menos como o Iron Maiden fazia com o Eddie. Foi daí que veio o nome. O pior é que um monte de gente pensou que a gente estava “se achando”. Não tem nada a ver, é só o boneco, que é demais!

JC - Como vocês vêem o “Gigante!” em relação ao “Rosas e Vinho Tinto”?

Passarell - Acho que ele tem um pouco mais de guitarra. No outro disco eu entrei na hora da gravação. Gravei o disco mas não tive muita participação como agora. Acho que este é um disco mais seco, sem firulas, sem percussão, quase nenhum teclado... É guitarra, baixo, bateria e voz. É mais próximo do som que o Capital fez no primeiro disco.

JC - No primeiro?

Passarell - É, que eu acho que é raiz, com pouca balada, com “Veraneio Vascaína”, uma coisa mais voltada para o rock ‘n’ roll. Acho que “Gigante!” é um disco de rock.

JC - Depois dos altos e baixos da banda, o “Acústico MTV” e o “Rosas”, foram discos comercialmente bem-sucedidos. Até que ponto isso ajuda na hora de entrar em estúdio para um novo trabalho?

Passarell - Dá mais tranqüilidade saber que as pessoas estão gostando da música que você está fazendo, que o negócio tá rolando. Depois do “Acústico” havia aquela dúvida sobre o disco novo e até que ponto ele seria influenciado pelo “Acústico”. Foi legal ver que músicas como “Da Sua Maneira”, “Mais”, que são rock ‘n’roll, rolaram. Isso dá uma tranqüilidade, não é por você fez um acústico que vai deixar de fazer rock. Agora o importante é aproveitar o que se faz e fazer as coisas bem feitas, sair do estúdio feliz por ter feito um disco que gostou. O resto não depende tanto da gente.

JC - O show do “Gigante!” tem antigos sucessos?

Passarell - A gente vai misturar músicas novas, tocar umas cinco do disco novo, com outras que já rolaram dos discos passados, mudando a ordem... O show tem um visual novo, um palco novo, o gigante...

JC - Depois de mais de 20 anos de carreira, o público do Capital é muito jovem?

Passarell - 90% do nosso público é formado por jovens com menos de 18 anos. É um público bem novo. Por um lado é bom porque significa que você se renovou. O Dinho, às vezes, fala que é f... porque parece que ninguém sabe direito das coisas que já foram feitas. Mas é legal ter renovado, o grande mérito da volta do Capital foi ter feito músicas novas. No repertório do novo show ficou legal porque tem essas músicas mas também tem “Da Sua Maneira”, “Tudo que Vai”, “Natasha”, “Fátima”... O show está bem rock ‘n’ roll.

JC - O Capital emendou as turnês dos últimos discos. Percorrer o Interior continua sendo estimulante?

Passarell - É maravilhoso, continua sendo legal. O Interior do Estado de São Paulo tem uma p... infra, tem informação, mesmo nas feiras que a gente vai. De um tempo pra cá as feiras agropecuárias deixaram de ser exclusivas dos artistas sertanejos e têm muito rock. Hoje, cerca de 80% dos shows do Capital são no Interior de São Paulo. O público é bom e é possível levar toda a estrutura.

• Serviço

Show do Capital Inicial. Hoje, às 23h, na Cervejaria dos Monges. Avenida Getúlio Vargas, 7-50. Informações: (14) 3234-7773.

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