Não dispõem os observadores de descortínios suficientes para atinar até onde poderão ir as perceptíveis divergências político-sociais-militares, reinantes no velho Oriente Médio, com clamorosa ingerência de outras nações do continente e de fora dele, as quais estão resultando em sérios conflitos diários, como assassinatos, depredações e algo mais inimaginável. Inquire-se, então, até quando as populações daqueles infelicitados países continuarão com tantos sacrifícios pesando sobre suas cabeças, troncos e membros, semelhantes aos que aconteceram ao evangélico povo de Israel, que, em exílio na intempestiva Babilônia, olhava pateticamente para o seu passado, templo glorioso em que Deus interveio com todo poder e libertou os seus antepassados da escravidão do Egito, como aí estão lembrando as sagradas páginas das escrituras. Um novo Moisés surgiria neste 2004 em defesa das gerações do Iraque, não realizando os mesmos prodígios de sua época, mas restabelecendo entre os iraquianos a paz milenar de que antes desfrutavam e que hoje seria tão significativa quanto a extraordinária saída do Egito, heroicamente liderada por Ciro, o consagrado rei dos persas? É o que se pergunta, explicando uma filosofia da clarividente Chiard Lubich, segundo a qual Deus jamais se repete e realiza obras bem maiores que aquelas que efetuou na antigüidade, coisas assim que parecem repetir-se agora, no recente conclave do G8 (grupo dos países mais industrializados do mundo), cujos líderes, bem intencionados, decidiram implantar o regime democrático no Oriente e suas adjacências, tendo em vista colocar fim às penosas contendas existentes em suas comunidades, uma conquista que nunca ocorrerá sem total regeneração da vida social, da cultura, do lazer, da saúde, da economia e, fundamentalmente, do regime político-partidário, fatores dos quais de forma nenhuma prescinde a democracia reclamada pelo continente. Estaria nesse regime autêntico recomeço nacional e, como sempre que seja possível se tem a obrigação de recomeçar tudo de bom que o passado deixou para trás, impõe-se procurar fazer ressurgir na existência daquela gente o que lhe falta para se harmonizar e se colocar no caminho da fraternidade que há-de torná-la, perenemente, nova por dentro e nova por fora, em uma renovada terra de milagres modernos, conforme vaticina a inspirada filósofa. É, também, nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
"Quando todos os relógios que marcam o tempo se exaurirem e a última ampulheta esgotar seu derradeiro grão de areia, será então muito tarde para todos".