O Noroeste está de volta à Série A2 do Campeonato Paulista. Depois de cinco anos disputando a Série A3, o time bauruense conquistou o acesso ao empatar ontem, em 0 a 0, com o XV de Novembro, no Estádio Barão da Serra Negra, em Piracicaba, e garantir a quarta vaga entre os quatro times promovidos à Segundona no ano que vem. Mais de oito mil pessoas acompanharam o jogo no estádio.
Com o resultado, o Noroeste somou oito pontos, na segunda colocação do Grupo 4, e superou o próprio XV (7) e o Osasco (6), que foi derrotado pelo Mirassol, campeão da chave com 13 pontos, que vai lutar pelo título do campeonato com o Sertãozinho, primeiro colocado do Grupo 3.
O jogo que deu a classificação ao Noroeste foi truncado e nervoso, como uma legítima decisão. Os times não foram brilhantes tecnicamente, mas não faltou empenho e raça de ambos os lados. O Noroeste não sentiu a pressão dos torcedores e mostrou muita consciência tática. O time não deu espaços para o XV criar, apostou nos contra-ataques e por pouco não deixa Piracicaba com uma vitória: Gileno teve duas boas chances de gol.
Jogo
O confronto de ontem teve três partes distintas: o ambiente, o duelo e o desfecho. Antes da partida, o clima era todo propício à festa do time da casa: a torcida compareceu em bom número, o hino do XV era tocado exaustivamente nos alto-falantes do estádio e a imprensa local esbanjava otimismo. Clima de final de Copa do Mundo.
Do outro lado, o Noroeste, um grupo unido - rezou abraçado no gramado -, apoiado por algumas centenas de torcedores, que chegaram atrasados ao estádio. Neste ambiente se desenrolou o duelo.
Com a necessidade de vencer por um placar elástico para não depender do outro jogo do grupo - tinha os mesmos seis pontos do Osasco, mas perdia no saldo de gols -, o XV de Piracicaba entrou em campo pressionando o Noroeste. No entanto, encontrou pela frente um time bem postado, preparado para roubar a bola e partir nos contragolpes.
Sem espaço para trocar passes, o XV passou a arriscar lançamentos e cruzamentos para a área noroestina, que eram cortados pela zaga bauruense. O time da casa dominava, mas não conseguia criar nenhuma real chance de gol. Na escassez de oportunidades, o Norusca se deu melhor. Aos 28 minutos, Gileno superou a zaga, percebeu o goleiro Márcio Vieira adiantado e tocou por cobertura, quase abrindo o placar.
Os times só voltaram a ameaçar aos 37. Em menos de um minuto, duas chances de gol. Pelo Noroeste, dentro da área, Paulista bateu forte, cruzado e exigiu boa defesa de Márcio Vieira. Na seqüência, o XV partiu para o ataque e, após cruzamento da direita, Júnior dividiu com Maurício, de cabeça, e quase marcou.
No intervalo, o técnico do XV, Douglas Fonseca, trocou Júnior, contundido, por Caconde. O time de Piracicaba voltou disposto a marcar. E conseguiu. Logo no primeiro minuto, Michel dividiu com a zaga noroestina e tocou para o gol. No entanto, a jogada foi invalidada pelo árbitro, que flagrou toque de mão do piracicabano na jogada.
Passado o susto, o Noroeste reassumiu sua postura. Se fechava bem atrás e buscava os contra-ataques com Gileno e Lúcio. Aos 17 minutos, Claudinho, que acabara de entrar no lugar de Isaías, recebeu livre na área do Norusca, mas acabou batendo para fora. Aos 20, o Noroeste teve sua segunda grande chance. Gileno ganhou na corrida da zaga e tocou novamente por cobertura na saída do goleiro, levando grande perigo.
Com o passar dos minutos, a pressão do XV se transformou em desespero. O atacante Flávio entrou no no lugar de Michel e o time da casa partiu para o tudo ou nada. Vítor Hugo tratou de fechar o Noroeste e trocou Paulista por Anderson, Lúcio por Tobias e Luís Carlos por Alan.
A esta altura o Mirassol vencia o Osasco por 3 a 1 e o segundo promovido do grupo sairia do jogo em Piracicaba. A partir dos 40, a partida ficou dramática. O XV abandonou de vez qualquer pretensão defensiva. O Noroeste foi inteligente, prendeu a bola e trocou passes no campo do XV até o final.
Após o apito do árbitro, o desfecho foi a frustração dos quinzistas, contrastando com a euforia dos noroestinos. Jogadores, torcida e imprensa de Piracicaba procuravam encontrar explicações para o fracasso dentro de casa. Houve princípio de tumulto entre a torcida.
Do lado bauruense, alegria e choro do Noroeste. Cercados pelo preto e branco da torcida do XV, ainda no gramado, a festa foi vermelha. O time se abraçou e foi comemorar com os torcedores. A celebração se estendeu aos vestiários e às ruas de Bauru.
Ficha Técnica
XV de Piracicaba 0 x 0 Noroeste. Local: Estádio Barão da Serra Negra. Árbitro: Edílson Pereira de Carvalho. Assistentes: Marinaldo Silvério e Newton Barreira. Cartões amarelos: Edinho e Júnior (XV) e Ricardo Miranda, Adílson, Tobias e Gileno (Noroeste). XV de Piracicaba: Márcio Vieira; Vágner, Toninho, Moreira e Edinho; Isaías (Claudinho), João Carlos, Jorge e Michel (Flávio); Mota e Júnior (Caconde). Técnico: Douglas Fonseca. Noroeste: Maurício; Ricardo Miranda, Otacílio, Otávio e Adílson; Chocolate, Vina, Luís Carlos (Alan) e Paulista (Anderson); Lúcio (Tobias) e Gileno. Técnico: Vítor Hugo.