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Cultura africana é resgatada em curso

Hérica Rodrigues
| Tempo de leitura: 5 min

O Conselho Municipal da Comunidade Negra de Bauru está com inscrições abertas, a partir de hoje, para o primeiro curso sobre a contextualização da história e cultura africana no mundo contemporâneo.

Com vagas para 50 pessoas, as aulas serão quinzenais, sempre aos sábados, com os professores Sebastião Clementino (Macalé), Duilio Duka de Souza (Duka) e Roque José Ferreira.

Segundo Macalé, especialista em história da África pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do curso, o objetivo principal é mostrar um novo olhar sobre o continente africano e sobre os negros no Brasil. “Queremos resgatar a identidade do continente africano e a história da etnia negra do Brasil e seus descendentes. Precisamos desmitificar a história que foi criada”, explica.

Entre os temas que serão discutidos durante as aulas, estão a história africana anterior à visão européia; os líderes africanos; aspectos culturais da África; igualdades e diferenças na africanidade brasileira e a realidade educacional no ensino da cultura africana nos livros didáticos.

O curso será ministrado nas dependências da Instituição de Ensino de Bauru (Iesb/Prevê), na rua Cussy Júnior, 3-80. Macalé explica que a parceria do Conselho Municipal da Comunidade Negra com a Iesb permite mais um importante passo para a diminuição das práticas raciais na cidade e região, assim como no restante do País.

“Essa é uma ação importante do conselho. É necessário que todos tenham consciência dos direitos dos negros”, diz.

O curso terá duração de 24 horas/aula e será ministrado durante os meses de julho e agosto, das 13h às 17h. A taxa de inscrição é de R$ 20,00 e o horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 17h30. A aula inaugural será no próximo dia 3.

O público-alvo do curso são educadores e interessados na história, cultura e luta da população negra brasileira.

Conselho Municipal

Com 20 membros, o Conselho Municipal da Comunidade Negra de Bauru completa sete meses de trabalhos junto à população.

Segundo o presidente Roque José Ferreira, durante esse período, o conselho foi estruturado para criar condições para que a comunidade negra se aproprie de determinadas ferramentas para facilitar a organização e combater as práticas anti-racismo.

Roque explica que entre as questões práticas está a necessidade de desenvolver cursos e palestras que tenham como objetivo explicar o papel do negro na sociedade e fazer disso um facilitador para o cumprimento da legislação que cuida dos direitos de todos.

Inicialmente, foi realizado um seminário de planejamento elencando uma série de demandas que podem ajudar a população negra.

Após essa estruturação, o conselho deu início aos trabalhos junto à população negra de Bauru com uma parceria com o Ministério Público do Trabalho, presidido por José Luiz Maturana, para combater as práticas raciais no ambiente de trabalho.

O conselho também criou o disque-denúncia, que pretende ajudar a combater os problemas raciais existentes no dia-a-dia de Bauru; está elaborando uma cartilha com os direitos dos negros e desenvolve palestras e grupos de discussões nos bairros da cidade.

Todos os serviços são gratuitos e os interessados podem entrar em contato com o conselho na Casa dos Conselhos.

O conselho também tem parceria com a Fundação Douglas Adriane (FDA), na qual jovens graduados estão fazendo especialização em gerenciamento de empresas. Esse curso também é gratuito e tem na grade curricular 300 horas de serviços prestados para a comunidade.

O FDA deve oferecer também o curso de espanhol para iniciantes. A inscrição é de R$ 5,00 e está aberta a toda comunidade interessada.

O FDA está presente em outras cidades do Estado e em Belo Horizonte e Fortaleza.

Ainda está prevista uma mostra de fotos de pessoas negras de Bauru e a história da comunidade na cidade, que será realizada no Museu Histórico Municipal, com entrada gratuita. A mostra poderá ser visitada de 20 de julho a 15 de agosto.

A exposição deve marcar o Dia do Turismo Étnico Afro-Brasileiro, que será comemorado em 20 de julho. Os interessados em participar da mostra podem entrar em contato na Casa dos Conselhos.

Outro passo do conselho foi a participação na 1.ª Conferência Estadual de Políticas Públicas para as mulheres, realizada nos dias 29 e 30 de maio, em São Paulo. Maria Isabel Adão Barbosa é conselheira estadual suplente e representou a comunidade de Bauru.

Serviço

As inscrições podem ser feitas na Casa dos Conselhos Municipais, na rua Manoel Bento Cruz, 7-60. Telefones (14) 3227-5433 e (14) 3227-9501.

Disque-denúncia

Criado com o objetivo de facilitar as denúncias sobre as práticas e situações de crimes de natureza racial, o disque-denúncia é destinado para toda população negra e não-negra de Bauru e região.

O serviço tem dois meses e já recebeu quatro denúncias, no qual dois casos foram designados para averiguações e dois já foram concluídos como crime.

O disque-denúncia conta com apoio da Comissão do Negro e Assuntos Antidiscriminatórios da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) subseção Bauru e é composto por Rosa Maria Otuka Barbosa Pereira, secretária interina da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) e membro do Conselho Municipal; Tito Pereira e Gaspar Reis Moreira. O professor e advogado Antônio Carlos da Silva Barros faz parte da Comissão Jurídica do Negro e é coordenador das ações jurídicas do disque-denúncia.

O serviço tem parceria com a Prefeitura Municipal através da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) dentro do Programa de Divisão da Assistência Social a População.

O telefone do disque é (14) 3235-1108 e o horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. As denúncias podem ser feitas por telefone ou pessoalmente, na avenida Nuno de Assis, 14-60.

A Sebes faz a captação dos dados e encaminha os casos para os conselheiros do Conselho Municipal da Comunidade Negra.

Está aberto a negros e não-negros.

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