Economia & Negócios

Greve da Unesp completa 1 mês sem avanço

Ieda Rodrigues (*)
| Tempo de leitura: 3 min

Os professores e funcionários do câmpus Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) completam hoje um mês em greve por reajuste salarial. Na última rodada de negociações com o Forum das Seis, entidade que congrega os sindicatos de professores e servidores das três universidades públicas do Estado de São Paulo - Unesp, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP) - e o Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp), foi proposta uma fórmula de política salarial semelhante à utilizada em 2000 e com reformulações do Cruesp.

Segundo Gilberto Magalhães, presidente da subseção Bauru da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), a proposta é baseada em parâmetros e valores previstos que podem ou não se realizar, como a previsão total de arrecadação do ICMS e o índice fixo de pagamento das universidades, porém, as negociações sobre os reajustes reais não avançaram.

“Já é algo satisfatório, mas ainda daremos continuidade à greve”, explicou. A categoria reivindica 16% de reajuste. Hoje, às 14h, será realizada nova assembléia, na sala 1 do câmpus de Bauru, para avaliar a proposta do Cruesp. “O principal item de discussão é o reajuste salarial. A discussão dos demais itens da pauta de reivindicação estão pré-agendados para julho”, diz.

Para amanhã, está proposta a continuação da reunião, às 17h, em Campinas, na qual serão novamente discutidos os valores de reajustes e os prós e contras da nova fórmula salarial proposta.

Para quarta-feira, a categoria está propondo uma audiência pública para discutir o desmonte do serviço público; quinta-feira haverá manifestação no conselho universitário da Unesp e na sexta-feira, caravana com manifestação em frente ao Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

No câmpus da Unesp de Bauru, a adesão à greve é praticamente de 100%. “Estão sendo feitos apenas encaminhamentos essenciais, como os relativos a concursos em andamento e pagamento de contas que podem acarretar multa”, explica Magalhães.

Segundo André Augusto Dias, aluno e membro do Conselho de Curso do Departamento de Comunicação Social, representante do curso de Relações Públicas, uma parcela significativa dos alunos apoia a greve dos funcionários da universidade. Para ele, que é a favor do movimento, os profissionais não estão lutando apenas por melhores salários e sim por uma educação de qualidade. “A greve representa um movimento bem mais amplo. Estão colocando em xeque a forma como o governo está lidando com as questões educacionais”, conta.

Ele esclarece que, a princípio, a greve pode parecer prejudicial aos alunos, porém, é uma saída contra a deteriorização da educação no País. “Estamos perdendo professores e estrutura e, com isso, no futuro, teremos ensino sem qualidade e profissionais pouco críticos”, diz.

Mesmo que professores e funcionários voltem ao trabalho nesta semana, a greve já deixou um prejuízo irreversível aos comerciantes que trabalham nos arredores da Unesp, afirma José Natal do Nascimento, gerente geral de uma empresa de alimentação que explora a cantina e o restaurante do câmpus. “A queda no movimento foi de mais de 90%, mas nós temos que abrir por força de contrato. Com a greve, a média de 450 refeições servidas por dia, caiu para 60 ou 70. Temos gastos fixos - luz, água, funcionários - que não serão recuperados”, diz.

Apesar de receber raríssimos clientes, Itamar Lourenção mantém sua livraria aberta na Unesp. “Eu continuo abrindo mais para atender pedidos de outras escolas e um ou outro cliente da Unesp. Depois que o banco (que funciona no câmpus) fecha, não fica mais ninguém”, conta.

A queda nas vendas é de cerca de 95%, segundo Lourenção. Trabalhando há muitos anos na universidade, ele conta que esta greve é a segunda mais longa. “Já tivemos uma de dois meses e meio”, lembra.

A Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP também continua em greve. Aulas e serviços administrativos estão paralisados. As clínicas da faculdade estão atendendo, mas somente os casos de urgência e emergência.

Os funcionários da prefeitura do câmpus, que chegaram a aderir ao movimento, voltaram ao trabalho. No Centrinho, hospital da USP, a adesão à greve é parcial e até agora não comprometeu o atendimento aos pacientes.

(*) Hérica Rodrigues

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