Regional

Aluguel gira em torno dos R$ 50,00

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Dois Córregos - Na média, a vaga em um alojamento para trabalhador rural custa R$ 50,00 por mês. Por esse valor, o locatário tem direito a pouca coisa. Na maioria das vezes, o quarto é dividido entre nove pessoas.

Não há guarda-roupa nem ventilação adequada. Em alguns casos, não há sequer janelas nos quartos. Com isso, o cheiro acaba espantando os visitantes, como aconteceu ontem durante a visita dos promotores e fiscais.

Entre uma triliche e outra, dentro do quarto, estica-se um cordão e está pronto um varal para estender as roupas.

O lavrador Epitácio José Gomes da Silva, de Pernambuco, viajou para Dois Córregos pela primeira vez. Apesar de toda privação, ele ainda acha que vale a pena cruzar quase o País inteiro para trabalhar nos canaviais do Interior paulista.

Davino Valentino dos Santos está em Dois Córregos faz 20 anos. Também pernambucano, trabalhou no corte da cana durante sete anos. Depois, em razão de um problema que disse ter tido no coração, parou de trabalhar na lavoura e começou a alugar quartos para os trabalhadores nordestinos que chegavam todos os anos para trabalhar na cidade.

Hoje, ele tem um alojamento com vaga para 40 pessoas - só não oferece mais porque não tem espaço. Quando o local está lotado, sua renda mensal gira em torno de R$ 1,6 mil. Cada vaga custa R$ 40,00.

Normalmente, a safra da cana dura em média sete meses. Durante esse tempo, o dinheiro está garantido. De modo geral, o investimento nos alojamentos é praticamente nenhum.

A possibilidade de lucro fácil atrai também outras pessoas. Segundo constatou ontem o Jornal da Cidade, existem moradores que alugam a própria casa para grupos de trabalhadores e vão morar com amigos e parentes até que a safra termine.

Dos nordestinos que estão hoje em Dois Córregos, o mais novo não é exatamente um homem que veio para trabalhar na lavoura. Mas um bebê recém-nascido que ontem foi visto deitado sobre uma manta no quintal de um alojamento, na Vila São Pedro.

Lígia, com apenas dois meses de vida, já conhece os caminhos que levam para Dois Córregos. Segundo a mãe, Gelsanilda Cordeiro da Silva, essa é a segunda vez que ela e o marido estão na cidade.

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