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Tocha da esperança


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A passagem da Tocha Olímpica pelo Brasil proporcionou um momento raro de mobilização popular. Além de representar um marco esportivo importante para um País - que almeja, num futuro próximo, sediar os jogos -, ficou claro que o ideal olímpico não é feito apenas de vencedores, mas da união de todos os povos em torno da paz e da solidariedade. Em um mundo marcado pelo individualismo, o esporte tem o poder de extrapolar as competições e disseminar ideais fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e mais humana.

Quem não se lembra das Olimpíadas de Berlim, em 1936, quando em meio à efervescência do nazismo de Hitler, um negro norte-americano, chamado James Cleveland “Jesse” Owens, ganhou quatro medalhas de ouro no atletismo. Suas vitórias derrubaram a teoria nazista da superioridade da “raça ariana” e ressaltaram a necessidade de tolerância entre os povos.

Um outro exemplo olímpico de superação e dedicação aconteceu nos jogos de Los Angeles, em 1984. A suíça Gabriele Andersen Scheiss chegou cambaleando para completar a maratona feminina. O estádio acompanhou a cena dramática da atleta que estava contundida e exausta e nem mesmo assim desistiu da prova. Gabriele foi ovacionada após fazer os últimos 100 metros em 5min44s, terminando na 37.ª colocação.

Também não podemos nos esquecer de Eric Moussambani, da Guiné Equatorial, nos Jogos de Sidney, em 2000. O nadador competiu nos 100m livre sozinho, já que seus dois competidores da sua série haviam sido desclassificados por terem queimado a largada. Moussambani demorou mais que o dobro do tempo dos primeiros colocados nas outras eliminatórias e quase se afogou no final da prova. O atleta tinha aprendido a nadar apenas seis meses antes do início dos Jogos e confessou que era a primeira vez que nadava em piscinas com distância oficial.

Estes personagens simbolizaram o que há de mais belo no espírito olímpico, a solidariedade, a mobilização em torno de um ideal e a tolerância com as diferenças. Atitudes, estas, que podem influenciar um país, um estado e uma cidade.

Mas o que podemos aprender com estes exemplos? Estes são os alicerces para a construção de um futuro melhor para os brasileiros. Quando defendo que precisamos humanizar a administração pública e trazer a sociedade civil organizada para o debate dos problemas crônicos que assolam este País, quero que cada cidadão participe da construção deste “Novo Brasil”.

Só com solidariedade, mobilização popular e perseverança, poderemos superar a exclusão social e promover uma verdadeira distribuição de renda neste País. Que a chama olímpica acenda a vontade política de mudar para deixarmos de ser o eterno país do futuro e façamos de um futuro melhor o nosso presente.

O autor, Arnaldo Jardim, é deputado estadual pelo PPS.

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