O usuário do sistema de transporte coletivo urbano em Bauru poderá, em breve, utilizar o cartão eletrônico de integração em todas as linhas do sistema. A previsão é de que a medida seja implantada a partir de meados do próximo mês pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) como meio de atrair mais passageiros. O estudo foi confirmado, ontem, pelo diretor de Transportes da Emdurb, Waldomiro Fantini Júnior.
A antecipação da integração das linhas com o uso de uma única tarifa de R$ 1,90 na catraca eletrônica aguarda a finalização do estudo sobre o comportamento do sistema desde a entrada em operação do cartão magnético, ocorrida no mês passado, cita o presidente da Emdurb, Antonio Carlos Duarte.
Atualmente, a integração permite o uso de mais de uma linha com o pagamento da tarifa única para apenas oito grupos de itinerários. O passageiro tem uma hora e meia de tempo para deixar uma linha e embarcar em outra. “Fizemos essa implantação por grupos de linhas para verificar qual seria a adesão. Verificamos até agora que não houve perda de passageiros transportados, o que colabora para a ampliação do serviço”, comenta Fantini Jr.
Segundo Fantini, a exceção para o uso integrado das linhas será apenas para o itinerário de partida. “O passageiro não poderá ir e voltar com a tarifa integrada na mesma linha. Mas poderá fazer o trajeto de ida e volta se usar outras linhas disponíveis em seu bairro dentro do tempo de uma hora e meia programado no cartão”, explica.
Para o diretor de Transportes, a proposta é viável do ponto de vista operacional e financeiro. “Fica um sistema muito mais aberto e produtivo, gerando acréscimo de receita com mais economia para o usuário que poderá pegar duas linhas pagando R$ 1,10 a menos”, complementa.
“Estamos verificando que a ampliação vai estimular o usuário a ir almoçar em casa, por exemplo, porque ao invés de pagar R$ 3,00 por dois ônibus poderá fazer o trajeto por R$ 1,90”, exemplifica.
Dados do estudo
O resultado da integração na primeira quinzena de junho reforçou a tese da Emdurb. As planilhas da câmara tarifária - que calcula o custo do sistema em função do número de passageiros transportados - apontam que de 1 milhão de usuários registrados na primeira quinzena deste mês, 15 mil se valeram da integração.
“A proposta é para tentar atrair pessoas para o uso integrado, o que geraria mais receita. Acreditamos que o uso de mais de uma linha pela integração atinja 15% de todo o sistema, o que é bom”, avalia o diretor.
A integração completa é defendida pela associação que reúne as concessionárias locais (Transurb) e tem o apoio do presidente do Conselho de Usuários do Transporte Coletivo, Rubens de Souza. “Defendi desde o início que a integração deveria ser completa. Os ônibus vão percorrer a mesma quantidade de quilômetros por mês, mas poderão ganhar R$ 0,40 por cada usuário extra vindo da integração”, resume Souza.
O presidente da Transurb, José Antonio Jacomelli, também apóia a mudança. “Achamos perfeitamente viável especialmente porque isso atrai mais passageiros para o sistema sem gerar novos custos”, opina.
Com essas medidas, a Emdurb também busca eliminar o déficit operacional. O município acumula dívida de R$ 8,2 milhões em favor das concessionárias. Em 2003, o custo apresentou resultado negativo de R$ 500 mil/mês, em média.
Em abril e maio passados, o déficit caiu para cerca de R$ 50 mil. Entre os fatores que contribuíram para o resultado está o reajuste da tarifa, no final do ano passado, para R$ 1,45.