Cultura

Mutante

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

O cantor e compositor carioca Paulinho Moska, agora é só Moska. O novo nome artístico surgiu como uma brincadeira para a gravação do seu penúltimo disco, “Eu Falso Da Minha Vida O Que Eu Quiser”, de 2001, mas acabou definindo a própria trajetória do artista. “Meu trabalho sempre foi uma busca por mudanças”, diz Moska, em entrevista por telefone ao Jornal da Cidade.

Ex-integrante do grupo de pop rock Inimigos do Rei, o cantor está há dez anos seguindo carreira solo. Gravou, ano passado, seu sétimo CD, “Tudo Novo de Novo”. O álbum constitui a base para o show que Moska realiza hoje, a partir das 22h, na festa junina do Serviço Social do Comércio (Sesc). O evento teve início na semana passada e vai até domingo, com uma extensa programação cultural, que inclui apresentação da cantora Anastácia, amanhã, e de Anaí Rosa, no domingo.

Assim como afirma, Moska está, constantemente, se renovando. Basta observar o início de sua trajetória artística, ainda na juventude. Nascido em 1967, no Rio de Janeiro, ele aprendeu a tocar violão aos 13 anos com o irmão mais velho, e logo fez amizades com outros músicos. Em 1983, decidiu ser ator e se matriculou em um curso de teatro.

Moska atuou também no cinema, em filmes como “A Cor do Seu Destino”, “Um Trem Para as Estrelas”, “O Mistério do Colégio Brasil” e “Kuarup”. No final dos anos 80, integrou o grupo Garganta Profunda. Anos mais tarde, o cantor, juntamente com outros membros do Garganta, formou a banda Inimigos do Rei, que emplacou dois sucessos: “Uma Barata Chamada Kafka” e “Adelaide”, ambos caracterizados pelas letras bem-humoradas.

Em 1992, Moska abandonou a Inimigos para seguir carreira solo - marcada pelo grande ecletismo musical. Seu disco de estréia, “Vontade” (1993), é fiel representante do rock’n’roll. O segundo álbum, “Pensar É Fazer Música” (1995), é ligado à MPB. O lado pop ficou evidente no terceiro CD, “Contrasenso”, gravado em 1997, mesmo ano de lançamento do disco ao vivo, “Através do Espelho”.

O quinto álbum, “Móbile”, veio em 1999, e trouxe influências da música eletrônica. O visual também não ficou de fora das mudanças de Moska: “No disco de rock, eu estou bem cabeludo, quando fiz ‘Móbile’, pintei meu cabelo de branco”, conta o cantor. “Essa coisa do novo, para mim, é cotidiano, estou sempre buscando me renovar”, afirma.

Como não poderia deixar de ser, “Tudo Novo de Novo” reforça a irreverência de Moska. A começar pelo método de produção do disco, que teve inspiração em um fato curioso: o cantor é obcecado por tirar retratos da própria imagem refletida em maçanetas, torneiras, ralos, chuveiros, entre outros objetos espelhados.

A “mania” teve início com o lançamento do disco “Eu Falso Da Minha Vida O Que Eu Quiser”, quando o artista comprou uma máquina fotográfica digital. “Como freqüento muitos hotéis, passei a fotografar os quartos e os banheiros. Reparei que dava para ver meu rosto distorcido em vários objetos”, conta. A partir daí, ele não parou de fazer auto-retratos, acumulando aproximadamente 3.500 imagens em dois anos - mesmo período, aliás, que teve a produção do último CD.

“Mais do que um exercício narcisista, comecei a gostar de algumas fotos, dei nome e acabei escrevendo poemas para elas. Fiz as canções em cima desses poemas”, destaca Moska.

O artista vê a música como um meio de provocar a reflexão. Isso é evidenciado no repertório do novo CD. Uma das canções, “Lágrimas de Diamantes”, mostra, de forma simbólica, a transformação de uma lágrima em pedra preciosa. “Para mim, a letra é uma metáfora, são as dores da vida se transformando em forças novas, em novos amores”, comenta o cantor.

“Já ‘Tudo Novo de Novo’ (faixa-título do álbum) começa colocando um ponto final, que é um sinal de que tudo na vida tem um fim. O disco fala sobre essa renovação”, aponta Moska. As músicas fazem parte do set list do show de hoje, que traz ainda sucessos como “A Seta e o Alvo”, “Admito Que Perdi” e “O Último Dia”. No palco, o cantor será acompanhado por Cristian (percussão), Sacha Amback (teclados) e Nino Romero (baixo).

• Serviço

Show de Moska e banda hoje, a partir das 22h, no Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750.

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