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Circulando: Ele faz dos carros obras de arte

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Desde 1985, Roberto Garcia Rodrigues ganha a vida em Bauru comercializando pisos e azulejos, ocupação que lhe toma boa parte do dia. Entretanto, é durante as poucas horas vagas que ele realmente pratica e exerce a grande paixão de sua vida: o desenho, principalmente de carros antigos e arquiteturas.

Formado em Desenho Artístico, Publicidade e Decoração de Interiores, Roberto já lecionou na Escola Contemporânea de Arte por cinco anos e participou de vários salões do gênero em São Paulo, onde foi premiado por algumas de suas obras. Também já expôs nos museus históricos de Jaú e, durante o ano passado, no de Bauru.

E, este ano, Roberto volta a exibir seu talento para desenhar carros antigos e arquiteturas através de uma pequena exposição gratuita na cidade. “As ilustrações compõem apenas metade do trabalho, mas já dá para ter uma idéia”, ressalta.

Apesar de dominar várias técnicas, como crayon, pastel, aquarela e pintura a óleo, a preferida pelo artista para criar as ilustrações é o nankin. “Ela permite desenvolver uma riqueza incrível de detalhes tanto para os automóveis como para as edificações”, destaca Roberto.

Atualmente, ele já pintou automóveis de várias marcas, como as linhas Simca, DKWVemag e “Fordinhos”, e diversos pontos do Brasil e do mundo. Os desenhos reproduzem fielmente pontos turísticos com paisagens clássicas ou históricas, como as mineiras Ouro Preto e São João Del Rey, ou símbolos municipais como a antiga estação ferroviária de Bauru, na área central. Todos com um veículo antigo para enfeitá-las.

“Sempre fui um apaixonado por veículos antigos, principalmente pelo requinte e charme que muitos ostentavam”, ressalta Roberto ao justificar os motivos que o levaram a escolher os automóveis como fonte de inspiração. “É bonito ver como determinadas linhas evoluíram com o tempo. Quem já teve um carro do gênero sabe o que é isso”, enfatiza.

E, para garantir renovação entre os modelos a serem alvos de sua caneta-nanquim, o artista sempre corre às bancas para adquirir revistas especializadas em antigomobilismo. “Desenhar é uma forma de ter coisas para contar para os netos”, brinca Roberto.

Para ele, mais do que um hobby nas horas de folga, o desenho é um dom. “Acho que já nasci com ele desde garoto”, considera. A maior prova disso, segundo Roberto, ocorreu quando ainda trabalhava em uma farmácia na Capital paulista.

“Certa vez, chegou um cliente e perguntou quem era o autor de desenhos que estavam à vista no local. Falei que era eu e a pessoa me respondeu que eu estava na profissão errada”, recorda o artista. A partir daquele momento, resolveu investir na atividade e, durante 12 anos, obteve sucesso ao trabalhar com projetos e decorações enquanto, paralelamente, criava seu arquivo pessoal de obras de carros.

No entanto, Roberto não contava com a possibilidade de perder o emprego, que o forçou a abandonar a ocupação e a cidade e tornar-se um comerciante. “Virei empresário por necessidade, mas não escondo de ninguém que meu negócio é o desenho”, frisa.

Ele também lamenta o descaso com que a cultura é tratada no País. “Viver da arte por aqui é quase impossível e, por isso, nem alimento mais sonhos de conseguir sobreviver com minhas obras”, salienta Roberto.

• Serviço

A exposição “Carros Antigos e Arquiteturas” ficará, até o próximo dia 17, no Café com Arte, localizado na esquina das ruas Bandeirantes com Gerson França.

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