A morte tem a cara de um homem bonito e ambicioso que deseja matar os cães protegidos pela Uipa. A morte quase ceifou uma velhinha jogada do assento no ônibus desabalado. Deu no rádio.
Socorro, quem amar nossos irmãos menores na ordem terrestre que acuda agora. As senhoras da Uipa correm o risco de ver seu trabalho de anos e seu dinheiro gasto nas construções se transformarem em pequenos corpos mortos. Isso porque alguém exige o local do canil para pressupostos trabalhos em prol da saúde. Será?
Não há respeito pelos idosos nos ônibus, que são balançados, jogados, hostilizados por causa dos seus direitos.
Estamos na trilha do degolador, terrível vampiro nazista que brinca de deus ao degolar nossos pequenos irmãos. Socorro, socorro!
Na última terça-feira, dia 22, saí para ir ao médico. Peguei o ônibus da linha Universitária na rua dos Andradas, por volta das 15h20. Era o ônibus 9357. Desabalado. Quando pagava a passagem, houve a freada brusca que me atirou sobre a barreira metálica do motorista. A dor terrível da pancada me atordoou. A bolsa quebrou. Meus óculos também. Os objetos foram parar sob o assento do motorista. Uma senhora evangélica me socorreu. Meus 64 anos resistiram (mas e se fosse alguém de 80?). Sem enxergar, recolhi meus pertences.
Mais tarde, numa loja descobri que minha bolsa dos óculos ficou sob o banco com R$ 50 reais, o último dinheiro do mês para a carne dos cães. Fiquei liso.
Liguei para a TUA que veio me informar que o motorista negou o acidente e negou ter achado o dinheiro. A morte passou rasteira, e, me parece, tudo muito claro.
Afora esse incidente, existe o perigo real de tantos cãezinhos e gatinhos que foram curados, tratados com tanto carinho, serem sacrificados. E isso para dar lugar a um campo de extermínio em nome da leishmaniose. Mais mortes.
Senhor Deus, abençoai as feras e as crianças e principalmente abençoai as mentes dessas pessoas que trazem consigo a morte em nome de metas pseudo-humanitárias. Amém.
Hesso Maciel - RG 4.161.922