O documentário “Pelé Eterno”, que está em cartaz em todo o Brasil, incluindo as salas de cinema da cidade mostra em aproximadamente 120 minutos, 400 gols, três mil fotografias e diversas reproduções de jogadas do Rei. Evidentemente, o filme celebra a vida de Pelé, mas também confere uma atenção especial à Bauru, cidade onde o jogador aprendeu as primeiras técnicas do futebol.
O fato é destacado através de alguns depoimentos de bauruenses ligados ao Rei e reunidos no documentário. Entre eles está Aniel Chaves, que jogou com Pelé em três times bauruenses no final da década de 40 até meados dos anos 50, e o jornalista Luiz Carlos Cordeiro, autor de um livro sobre a infância e a vida do jogador. Ambos foram convidados a assistir o filme durante uma pré-estréia realizada no dia 20, no Teatro do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.
Aniel conheceu Pelé ainda na infância, em 1948, quando os dois fizeram parte do América Futebol Clube, mais conhecido como Ameriquinha, por ser formado por crianças e jovens atletas. “Eu tinha 12 anos e o Pelé deveria ter oito”, lembra Aniel. Juntamente com outros companheiros, ele ajudou a construir o campo de treinamento do Ameriquinha, que se localizava na quadra 2 da avenida Duque de Caxias. “O vestiário era nos fundos da minha casa, que ficava na quadra 3 da Duque”, conta.
Em 1953, Pelé foi jogar no Baquinho - categoria infanto-juvenil do Bauru Atlético Clube (BAC), da qual seu pai, Dondinho, fez parte - e no ano seguinte, Aniel também participou do mesmo time. Com a extinção dos times do BAC e do Baquinho nos anos 50, os jogadores formaram o Radium Futebol Clube, que incluía as modalidades de futebol de campo e de salão.
“O Radium foi campeão de futebol juvenil e nessa oportunidade Pelé marcou 128 gols”, lembra Aniel. Após a entrada do jogador no Santos, Aniel se incorporou ao Exército, onde permaneceu por 12 anos. Saiu para cursar Direito e assumiu como delegado seccional de polícia em Bauru. Atualmente, Aniel está aposentado.
Afirmando ser uma pessoa privilegiada por fazer parte da história do Pelé, Aniel destaca que o jogador é um exemplo de dedicação à profissão. “Ele treinava muito fora dos horários e não é esse astro por acaso. Além de ter o talento que Deus lhe deu, ele aperfeiçoou esse talento, colocando em prática os ensinamentos de Waldemar de Brito (que foi treinador do Baquinho na época de Pelé) e também de seu pai, que era outro craque que passou por Bauru”, diz.
“No Baquinho, Pelé aprendeu, como eu, a amar a camisa do clube que nós defendíamos. Esse respeito ele levou para sua vida”, aponta Aniel. Emocionado, ele fala de sua amizade com o Rei, que permanece forte até os dias de hoje. Em 1969, foi convidado para a festa do milésimo gol feito pelo jogador em novembro do mesmo ano.
“Na ocasião, tive a oportunidade de assistir uma partida de futebol entre as seleções paulista e carioca, cujo resultado foi o mais inesperado possível: zero a zero”, recorda Aniel, que em 1995, foi conhecer os gêmeos de Pelé e Assíria Nascimento.
Essas boas lembranças guardadas por Aniel estão implícitas em “Pelé Eterno”, através de um pequeno e carinhoso depoimento. “O filme é fantástico, nenhuma pessoa que admira o futebol deveria deixar de assistir porque o Pelé é o melhor jogador de futebol de todos os tempos”, frisa. “Temos o orgulho de ter tido o Atleta do Século em Bauru. Aqui ele aprendeu os fundamentos do futebol”, ressalta.
A relação da cidade e o início da carreira de Pelé é retratada por Cordeiro em seu livro “De Edson a Pelé - A Infância do Rei em Bauru”. A obra - que conta a história do jogador dos quatro aos 16 anos em Bauru - foi lançada em 1998, mesmo ano em que o diretor e produtor de “Pelé Eterno”, Anibal Massaini Neto, começou o trabalho de pesquisa do documentário. “Alguns fatos da infância de Pelé mostrados no filme são baseadas no livro”, explica Cordeiro.
“Tudo o que aconteceu de início na vida do Pelé foi em Bauru”, diz Cordeiro. “Aqui ele aprendeu a ler e a escrever, suas primeiras namoradas e seus primeiros amigos são da cidade. Aqui ele começou a jogar futebol. Seu primeiro prêmio como melhor em campo também foi conquistado na cidade”, detalha. Cordeiro era amigo de Zoca, irmão de Pelé e teve contato com o Rei na época em que trabalhou como radialista e repórter esportivo.
Novidades
Além do documentário, um programa especial para televisão sobre a vida de Pelé também deverá ser lançado, adianta Cordeiro. Segundo ele, como o filme é condensando, sobraram diversos depoimentos e imagens para uma próxima produção coordenada por Massaini. “Eles estão preparando um especial de mais de quatro horas que será apresentado em capítulos. Nesse especial, Bauru será mais destacada ainda”, diz.
Outro projeto que promete homenagear o Rei é a construção de um memorial. Idealizada por Cordeiro, o local deverá abrigar um acervo de fotos sobre o ídolo. “Temos, em função de quatro anos de pesquisa para o livro, mais de 70 fotos do Pelé antes dele ir para o Santos, e também em Bauru”, conta. O projeto de construção do memorial ainda não tem data para ser iniciado.