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CRM faz campanha contra álcool

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

O Conselho Regional de Medicina (CRM), em parceria com outras entidades da categoria como o Conselho Federal de Medicina, está dando partida a uma nova campanha para pedir a regulamentação mais criteriosa da publicidade de bebidas alcoólicas nos veículos de comunicação. A intenção da campanha, que agrega-se a outras iniciativas municipais e nacionais, é obter controle semelhante ao do cigarro, com proibição de propagandas em qualquer horário na TV e alertar com mais contundência à população sobre os malefícios do álcool.

Em Bauru, o CRM promove no próximo sábado um ato no Calçadão da Batista para divulgar a campanha e colher assinaturas em um manifesto que será entregue ao Congresso Nacional, juntamente com as reivindicações das entidades para a regulamentação da publicidade de bebidas.

De acordo com o médico Carlos Alberto Monte Gobbo, conselheiro do CRM-Bauru, atualmente as campanhas de bebidas enaltecem o consumo de álcool como diferenciador social, estímulo de prazer ou um momento de alegria e juventude. “Isso incentiva o consumo desde a infância. Constatamos que 70% dos acidentes de trânsito com vítimas, em média, apresentam envolvimento de álcool. A bebida não é uma atividade associativa, pelo contrário, ela é um desagregador social, causa acidentes, desavenças e violência”, ressalta.

A Polícia Militar (PM) confirma que o álcool continua sendo uma das principais causas para os acidentes de trânsito, juntamente com o excesso de velocidade - e de piores conseqüências quando a bebida e a direção estão combinadas.

“Fizemos campanhas voltadas aos pedestres e ciclistas e o número de mortes caiu. Agora vamos voltar com as campanhas para redução de velocidade e contra a embriaguez”, declarou nesta semana ao JC o tenente Jorge Luiz Dias, comandante da Base de Trânsito da PM.

Atualmente, as propagandas de bebidas têm regulamentação de horário nas emissoras de TV aberta. De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, apenas as marcas de cerveja, com menor teor alcoólico, têm autorização para veicular comerciais antes das 22h. Bebidas destiladas e de alto teor alcoólico, como vodca, whisky ou cachaça, só podem entrar no ar a partir deste horário até 6h.

Na opinião de Gobbo, a regulamentação deveria ser mais severa, com a proibição de qualquer propaganda do gênero antes das 22h e avisos mais contundentes do que o alerta “Beba com moderação”, obrigatório em todas as campanhas. “A campanha quer alertar que o álcool é das piores drogas à qual a sociedade está exposta. Ela causa dependência física e psicológica e traz diversos problemas para a coletividade”, destaca o conselheiro.

"O vício vem de casa"

Fábio Augusto (nome fictício), 36 anos, freqüenta um grupo de Alcoólicos Anônimos (AA) há cerca de um ano, e aprova iniciativas como a do CRM. Em sua opinião, a publicidade de bebidas tem grande poder de incentivar os jovens e até as crianças a consumir o álcool. “Afinal, a publicidade serve para isso mesmo, vender um produto. Mas as pessoas precisam se conscientizar de que nem sempre o que é apresentado na TV vai ser benéfico. O vício começa dentro de casa, com os pais que bebem uma cervejinha e dão um pouco aos filhos, ou com as crianças vendo o consumo na TV”, critica.

Ele assume que ainda sente vontade de beber cerveja quando assiste uma propaganda, mas entende que sua sobriedade é mais importante do que um prazer momentâneo. “Eu gosto de beber uma cervejinha, mas sei que não tenho limites e mudo de comportamento depois de beber. As propagandas são tentadoras, mas quem passou pelo que eu passei, sabe que não pode ultrapassar essa linha de novo”, finaliza.

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