Tribuna do Leitor

VIVA O TSE


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Finalmente, a moralidade venceu a ignomínia dos legisladores brasileiros e as câmaras deixaram de ser “cabideiros” de empregos. Bauru vai contar, como sempre deveria ter sido, com 15 parlamentares. Aos opositores dessa nova representação, é preciso salientar alguns pontos:

Primeiro, representação popular não se faz por “redutos”. Afinal, o que seria um reduto? Um bairro? Se fosse isso, Bauru precisaria ter mais de uma centena de edis. Seria uma região? Então, uns quatro ou cinco bastariam. A representatividade se faz na participação dos interesses do povo, e não na participação de um grande percentual do povo empregado nas câmaras municipais. O prefeito é o exemplo disso, pois foi eleito por uma pequena parcela, mas representa todos do município. Assim tem de ser com o vereador.

Segundo, quantidade não se confunde com qualidade. Tendo menos vereadores, será preciso selecionar mais quem estará assumindo as funções legislativas. 15, 21, 55 ou 300 vereadores sem interesse social ou capacidade administrativa não são capazes de fazer o que apenas um, com competência e dedicação, seria capaz de fazer.

Terceiro, com menos vereadores a fiscalização da conduta pessoal do parlamentar será mais acirrada. Vereadores que dormem nas sessões, que viajam e passeiam com o carro da Câmara, que empregam parentes e agem contra os interesses públicos estarão mais à vista do que diluídos num grande número de vereadores.

Quarto, o custo será expressivamente menor, e quem ganha é o município, com a redução das despesas internas, com menos viagens duvidosas, menos assessores, menos verbas a serem liberadas para as “bancadas do prefeito”, enfim, financeiramente é um grande avanço.

Mas a maior vitória é pelo cumprimento da Constituição Federal, que foi achincalhada pelos interesses particulares da edilidade brasileira ao longo de mais de 15 anos, ignorando-se o percentual previsto para todos os municípios. E uma vitória em dobro, graças aos senadores Tião Viana, Heloísa “guerreira” Helena e Eduardo Siqueira Campos, que impediram o vergonhoso projeto que estava sendo aprovado “à toque de caixa”, apresentado na calada da noite e em tempo recorde para tentar salvar as vagas de mais de cinco mil vereadores. Venceu a moralidade. Venceu o interesse do povo. (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)

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