Turismo

Mergulho na Bahia

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Aliar lazer com aventura no mar. Essa a proposta de um grupo de mergulhadores bauruenses que se prepara para viajar a Salvador.

A Capital baiana do acarajé, do Elevador Lacerda, do Pelourinho e outras belezas irretocáveis é dona também do maior litoral brasileiro, paraíso para quem se atira literalmente ao mar.

A Baía de Todos os Santos é composta por 56 ilhas, que são a senha para o avanço dos novos descobridores na maior baía da costa. Como lá a temperatura é sempre agradável - em torno de 26 º C, suas águas são propícias para quem procura tesouros submersos.

A costa de Salvador cataloga cerca de 200 naufrágios, com pelo menos 90 identificados. A maior parte de embarcações portuguesas que circulavam pelo oceano Atlântico levando da terra brasilis o pau-brasil, entre outras riquezas.

Hoje, a região possui pelo menos dez pontos interessantes de mergulho com naufrágios. Alguns redondos para a prática de mergulho livre (snorling ou de apnéia, sem o cilindro de ar comprimido).

Os pontos variam de cinco a 45 metros de profundidade, dependendo do nível e do interesse do mergulhador. Todos têm acesso fácil e rápido - meia hora de trajeto, no máximo.

Bem na boca da Baía de Todos os Santos encontra-se o navio Cavo Artemidi, com 170 metros de comprimento, que afundou na década de 80. Mergulhadores experientes e alunos em estágio avançado podem chegar até ele e avistar seus salões e casas de máquinas.

Também no entorno da cidade dos trios elétricos está o famoso Galeão Sacramento, considerado o naufrágio histórico mais expressivo do nosso litoral.

“Em 1975, foi encontrado por dois pescadores, que provavelmente tiveram suas linhas enroscadas nos destroços e mergulharam para ver o que era”, conta Gilson Galvão, da Bahia Scuba.

O acidente com o galeão ocorreu no dia 5 de maio de 1668, depois de se chocar com o banco de Santo Antônio. Louças, porcelanas chinesas raras, muito ouro e prata e cerca de 20 canhões de bronze foram parar no fundo do mar.

Além dessas peças, já foram resgatadas mais de 100 alianças de ouro que hoje se encontram no Museu Náutico da Bahia e que seriam entregues a mulheres prometidas em casamento aos detentores das Capitais Hereditárias.

Além do Sacramento, outros navios, incluindo o Bretagne e o Germânia, repousam no fundo do mar baiano devidamente vigiados por cardumes de enormes corais. Dizem os responsáveis pelas empresas de mergulho que os dois navios estão próximos do Farol da Barra e a cerca de oito metros de profundidade. Como as águas da região são verdes cristalinas, a seis metros já é possível visualizar seus destroços.

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Caravelas náuticas

Outras embarcações estão aqui ou acolá na Baía de Todos os Santos para delírio de quem se entrega de corpo e alma ao mergulho, esporte que vem crescendo no Brasil.

Até dois anos atrás, cerca de 90% dos mergulhadores que chegavam à Bahia eram estrangeiros, com predominância de europeus e americanos. Situação que está mudando aos poucos, com a inclusão na lista de muitos brasileiros, inclusive bauruenses “loucos” pelo mar.

Mas para que não ocorram surpresas desagradáveis, todo cuidado é pouco em se tratando de se lançar ao mar. Por isso, é imprescindível que os grupos procurem empresas idôneas nesse segmento.

Na Bahia, por conta das águas transparentes e quentes, com visibilidade de até 20 metros, a fauna é fascinante, mas também perigosa.

Lá vivem as famosas “caravelas”, um tipo de água-viva que provoca queimaduras leves. Roupas especiais e acompanhamento de um instrutor são essenciais para que a viagem seja mesmo um sonho.

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