Exatos 72 anos após ter sido deflagrada no Estado, a Revolução Constitucionalista de 1932, movimento armado surgido no Estado de São Paulo que cobrava do governo Getúlio Vargas a instalação de uma Constituição no País, ainda continua sendo alvo de estudos e ex-combatentes se esforçam para preservar sua memória.
O bauruense Heni Scaf é prova viva disso. Aos 93 anos, ele é um ex-combatente do movimento, onde exerceu a função de atirador de fuzil e metralhadora, que não poupa energias para deixar a Revolução de 1932 sempre “viva” na memória da sociedade. Scaf preside a Associação dos Veteranos de 1932, que, entre outras preciosidades, reúne cerca de 150 fichas de ex-combatentes de Bauru e região mortos durante os conflitos. A associação também faz reuniões mensais com seus integrantes. “Queremos que ela (a revolução) não seja esquecida, pois foi um importante evento histórico”, considera.
Por isso, e também para perpetuá-la às próximas gerações, Scaf aposta nos familiares dos ex-combatentes. “Nossa intenção é que eles dêem continuidade aos nossos esforços para este trabalho de resgate e preservação não morra”, enfatiza o presidente da associação.
Para ele, a dedicação de um dia exclusivo às comemorações da data também ajuda nessa missão, mas ainda é insuficiente. “O feriado é uma forma daqueles que ignoram a revolução a tomar conhecimento de sua existência e importância ao Estado, além de ser um reconhecimento de nossa luta. Entretanto, creio que as escolas deveriam abordar mais profundamente o movimento e a sociedade valorizá-la um pouco mais, pois lutamos sozinhos com muitas dificuldades contra todos os outros Estados do País”, frisa Scaf.
Já a historiadora Lídia Maria Vianna Possas diz que a preservação da memória do movimento também ocorre através das constantes releituras históricas das quais o movimento é objeto. “Isso vem sendo feito durante décadas, principalmente após a de 80, quando houve o Diretas-Já, pois antes a ditadura tinha interesse em acobertar as características da Revolução de 1932. E, conforme ela vai sendo analisado novamente, vai assumindo outras conotações e interpretações”, explica.
Segundo Lídia, rememorar é ressignificar, mas também reavivar a memória. “Apesar disso, esta não é homogênea, pois a de um ex-combatente, por exemplo, será diferente de um jornalista que cobriu o movimento. Por isso, o movimento de 1932 é lido de uma maneira bastante particularizada”, enfatiza a estudiosa.
Homenagem
Em comemoração aos 72 anos da Revolução Constitucionalista de 1932, a Polícia Militar de Bauru programou para hoje, às 9h, no Quartel do Comando de Policiamento do Interior (CPI-4), uma solenidade em homenagem aos ex-combatentes.
A celebração contará com a presença de autoridades civis e militares, integrantes da Associação dos Veteranos de 1932 e seus familiares, alunos do Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (Cefam), escoteiros dos grupos Guia Lopes e Tiradentes e crianças do projeto Polícia Comunitária Mirim. Na programação de atividades do evento estão previstos desfiles de tropas, escolta a bandeiras e uma exposição do acervo do Museu Histórico “Antonio Eufrásio de Toledo” sobre o assunto.
O Quartel do CPI-4 fica na avenida Major Fonseca Osório, 4-65, na Vila Antártica.
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Causas
O estopim para o início da Revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo foi a quebra das promessas, feitas pelo então presidente da República Getúlio Vargas, de instalação de uma nova Constituição no País.
Diversos protestos de rua foram realizados no decorrer de 1932, que passaram a ser reprimidos pela polícia. Em uma campanha realizada na Praça da República, na Capital, no dia 23 de maio, os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo foram mortos por policiais. As iniciais de seus nomes foram adotadas como a sigla do movimento rebelde, o MMDC. A morte dos alunos também colaborou para fortalecer a adesão da classe média ao movimento.
A rebelião armada começou em São Paulo no dia 9 de julho de 1932 e contou com grande número de militares e civis em suas tropas. No entanto, a superioridade dos soldados governistas causou a rendição dos rebeldes em 3 de outubro do mesmo ano. Em 1997, a data foi promulgada feriado civil pelo governador Mário Covas.