Socialmente aceito e, muitas vezes incentivado, o consumo “inocente” de bebidas alcoólicas tem vitimado muitos jovens. Apesar dos efeitos do álcool, aparentemente, atingirem as pessoas de maneiras diferentes, os resultados estatísticos e científicos demonstram exatamente o contrário. Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e do Hospital das Clínicas indica que 70% dos casos de traumatologia registrados na rede pública de saúde resultam de acidentes de trânsito. Do total de pacientes nesse grupo, 96% apresentam índices de álcool no sangue acima do normal.
Outro estudo recente (Universidade da Califórnia - São Francisco/EUA) constatou que pessoas que bebem apenas socialmente, mas com freqüência, apresentam o mesmo tipo de danos cerebrais de alcoólatras que tiveram de ser internados e têm suas atividades quotidianas prejudicadas. Exames do cérebro, feitos com técnicas de imagem, mostram claramente os danos. Testes da capacidade de leitura, o equilíbrio e outras funções demonstram que pessoas que bebem mais de 100 drinques por mês apresentam problemas. É considerado drinque uma dose de bebida destilada, um copo de vinho ou uma lata de cerveja.
Segundo os pesquisadores da Universidade da Califórnia, pessoas que bebem socialmente, mas com muita freqüência, muitas vezes não reconhecem que seu nível de consumo de álcool constitui problema que exige tratamento. A pesquisa analisou homens que beberam, em média, 100 drinques ao mês, durante pelo menos três anos. Para as mulheres, considerou-se a média de 80 drinques mensais. Foram examinados 46 pessoas com esse perfil de consumo e 52 que bebiam com menos freqüência. A convocação dos voluntários deu-se por meio de folhetos ou anúncios em jornal. A revista Alcoholism: Clinical & Experimental Research publicou o trabalho.
A mensagem conclusiva dos cientistas é: “Beba com moderação. O consumo freqüente de álcool danifica o cérebro de forma extremamente sutil, reduzindo seu funcionamento cognitivo, de modo que não pode ser imediatamente percebido. Por segurança, não beba demais”. É importante que todos esses dados, de respeitadas instituições nacionais e internacionais, sirvam de alerta aos jovens, pais, autoridades e toda a sociedade. É inaceitável que as empresas de bebidas alcoólicas incentivem o “consumo moderado” de álcool. Chega de incentivar os filhos menores a dar um golinho na “inofensiva” cerveja.
A sociedade precisa reagir imediatamente, e este processo começa no âmbito das famílias. É necessário dialogar e conscientizar a todos sobre os perigos acarretados pelo álcool que leva ao consumo de outras drogas, provoca euforia, reações de violência, perda de senso crítico, depressão, doenças hepáticas e renais. Este inimigo sorrateiro transforma tímidos em ousados, covardes em valentes, sensatos em irresponsáveis, pais em vítimas, filhos em órfãos e a sociedade em refém. Basta!
O autor, Jamil Toufic Akkari, é presidente da Câmara Municipal de Santana de Parnaíba