Trinta dias de descanso e nada para fazer. Para muitos adultos, isso é um sonho de consumo. Mas para as crianças, que têm energia de sobra para dar e vender, o período de férias pode se transformar em estressantes e longos dias em casa. Para os pais, a saída é apostar em atividades lúdicas e cursos de férias.
A dona de casa Márcia Valotti, mãe de Isabela, 12 anos, e Lucas, 8 anos, se programou nesse ano. Ela matriculou os filhos num curso de culinária infantil, promovido por uma empresa especializada em tarefas escolares. “Lá eles vão preencher o tempo fazendo algo divertido e educativo”, explica.
De acordo com ela, as férias geralmente começam bem, pois as crianças, nos primeiros dias, só pensam em descansar. No entanto, quando se aproxima o meio do mês, o tempo começa a sobrar e o estresse tende a aparecer em casa. “Quando meus filhos eram menores, eles passavam as férias no clube, praticando esportes e brincando. Ao chegar em casa, estavam exaustos e satisfeitos. Hoje, como eles não freqüentam mais esse espaço, é preciso arrumar algo diferente”, diz.
Ela diz que a falta do que fazer pode alimentar pequenos conflitos caseiros. “Acaba acontecendo algum desentendimento entre eles e é bom evitar isso”, destaca.
Márcia presença de um amiguinho em casa é garantia de distração e paz. “Sempre tem um coleguinha para fazer companhia”, destaca.
Ela também dedica algumas horas do seu dia especialmente para as crianças. “Assistir filmes é nosso programa predileto”, conta.
A professora Ana Terezinha Cassetari também é a favor da programação de férias para as crianças em julho. “É importante inserir os filhos em contextos diferentes quando eles têm oportunidade de sair da rotina escolar”, comenta.
Ela, que é mãe de Thiago, 9 anos, e Felipe, 7 anos, aposta na interação proporcionada por essas atividades para preencher o recesso do mês de julho. “É ruim manter a criança apenas dentro de casa, sem contato com o mundo exterior. É preciso dar visão para ela”, explica.
Nesse ano, os meninos não quiseram participar dos tradicionais cursos dos clubes e zoológico. Preferiram ficar em casa brincando com os amigos. Mas mesmo assim, Terezinha os matriculou em um curso de culinária infantil. “Eles gostaram da idéia por ser algo novo”, diz.
A professora se considera uma pessoa privilegiada, por ter oportunidade de curtir os filhos nas férias. “Como eu trabalho em casa, tenho condições de ficar perto deles o tempo todo. Isso é muito positivo”, diz.
Ela programa detalhadamente as atividades com as crianças e transforma tudo em diversão. “Se vou fazer caminhada, levo-os junto. Eles se divertem andando de patins ou skate e, enquanto isso, eu vou explicando noções de trânsito ou comentando sobre a realidade do que vemos com eles”, explica.
Qualidade
A psicóloga Marly Rodrigues Bighetti Godoy salienta que a visão que crianças e adolescentes têm das férias é diferente. “Enquanto os menores só querem saber de brincar e descansar, os jovens programam suas próprias atividades, na maioria das vezes, sem comunicar os pais”, diz.
Segundo ela, os adolescentes querem ficar com a turma e viajar, experimentar coisas diferentes.
Para aproveitar o recesso escolar da melhor maneira possível, ela aconselha os pais a se programarem. Os que trabalham fora e não podem viajar com os filhos devem reservar uma parte do seu tempo para curtir a companhia das crianças. “O importante é a qualidade desse contato e não a quantidade de tempo que eles vão passar juntos”, destaca.
Marly explica que o ideal é os pais entrarem na onda dos filhos, pelo menos um dia das férias. “Eles têm de entrar no ritmo e reservar um dia só para programas infantis, sem horário para nada. Isso pode valer por um mês de viagem”, compara.
A psicóloga diz que, mesmo quem não tem condições financeiras de organizar um passeio caro, pode se divertir com os filhos. “Um piquenique no zoológico, por exemplo, vai fazer uma grande diferença na rotina da criança”, frisa.
A cartorária Célia Higa vai aproveitar esses dias de folga escolar para curtir ao máximo a filha Letícia. “O corre-corre cotidiano rouba boa parte do nosso tempo. Agora, a gente aproveita para tirar o atraso e ficar o máximo de tempo juntas”, diz.
Para alegrar esses momentos, ela costuma sair com a menina, levando-a ao cinema ou para tomar um lanche. “Normalmente, a gente viaja por alguns dias também.”
Uma boa dica para quem está sem condições financeiras para pagar cursos de férias é aproveitar as atividades do Programa Escola da Família, da Diretoria Regional de Ensino (DRE).
A supervisora de ensino Gina Sanchez, coordenadora do programa, explica que todas as 78 escolas estaduais da região abrangida pela DRE estarão funcionando nas férias. “As atividades são aos sábados e domingos, das 9h às 17h. Cada unidade tem a sua programação e, em muitas delas, haverá campeonatos e gincanas para animar a garotada e os pais”, destaca.