Tribuna do Leitor

Sala dos votos perdidos


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A porta abriu sem que a tocasse. Abriu como se me convidando a entrar. Avancei. Longos corredores se estendiam aos meus olhos. Portas nos dois lados, com placas de identificação. Escolhi um corredor. Caminhei lentamente olhando as placas: “Araçatuba/Pecuária”, “Jaú/Calçados”, “Bastos/Ovos”,“Duartina/Bicho-da Seda,” “Ibitinga/Bordados”,“Americana/Tecidos”, Piratininga/Termas, Pederneiras/Porto Intermodal, Bauru/Política. Assim por diante. Parei. A minha Bauru lá estava, brilhando sem limites. Política? Entrei. Nas estantes e nas mesas fotos, livros e jornais. Letras sobre a história política de Bauru. Interessei-me pela atual. O que passou já passou. Não lembrar. Dói. Li nomes dos candidatos à prefeitura e câmara nas eleições de outubro próximo. Aplaudi alguns e me reservei com outros. Como eleitor tenho esse direito. Sou extremamente exigente e cuidadoso em delegar poderes. Principalmente a candidatos a cargos governamentais. Libero o meu voto reconhecendo seu extraordinário poder somado à minha responsabilidade de escolher nomes que reúnem idealismo, criatividade e qualidades honestas para governar. Sempre agi assim em todas as eleições. Gerais ou regionais. Quase sempre perdi. Nas ultimas eleições ganhei só para deputado estadual. No resto perdi em tudo, inclusive para o Lula. O que me deixa em paz e feliz. Não colaborei para incoerências, radicalismos e interesses políticos partidários que o País está assistindo.

Com caneta e papel na mão, anotei os nomes de todos os candidatos para escolher em outubro. São tantos que é preciso anotar para não esquecer nenhum. Tenho menos de três meses para a avaliação de cada nome. Dos que já exerceram ou estão exercendo cargos. Dos novos pretendentes. O que os antigos fizeram quando exerceram ou estão desempenhando atualmente e vão tentar a reeleição. O que os novos poderão fazer. A minha análise será por exclusões. Não aquela de colocar papelzinho com nomes nos chapéus, eliminar um por um e votar nos que sobrarem. Ou nos candidatos que prometem mundos e fundos e só pensam nos seus fundos bancários. Nem escolher nas cartas do tarô. Sei que não vou me deixar enganar por promessas vazias. Vou escolher a capacidade e dignidade do candidato dentro da sociedade. Sua história familiar, profissional, cristã e humana. Quais os seus talentos para o trabalho e os benefícios que pode trazer para Bauru. Com personalidade para isolar revanchismos e picuinhas políticas. Com capacidade para ressuscitar o pundonor e o respeito resgatando Bauru de um infeliz passado político. Principalmente se é um idealista ou apenas mais um carreirista como tantos que existem neste “brasilzão” de Deus.

Afastei-me da sala dos votos perdidos. Sem que a tocasse, a porta fechou-se. Passado sepultado. Para sempre. O futuro está chegando. Para uma nova Bauru, “Cidade de espantos!”, como nos legou o poeta Rodrigues de Abreu, autor do livro “A Sala dos Passos Perdidos”. Que os passos dos eleitores caminhem para a edificação de uma Bauru feliz. Com o extraordinário poder do voto. Mudar a placa “Bauru/Política” para “Bauru/ Progresso, com paz”.

Munir Zalaf - R.G. 2.726.959

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