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Em greve, Febem tem dia de visitas sem nenhum incidente

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar da greve de aproximadamente 80% dos funcionários da unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem), ontem o dia de visitas foi tranqüilo. De acordo o Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sitraemfa) e a Polícia Militar (PM), não foi registrado nenhum incidente durante todo o dia.

Talvez por conta da paralisação e incerteza da permissão de entrada, poucos familiares foram até a unidade para ver os adolescentes. Para as pessoas que se apresentaram à portaria, a única certeza era aconselhar os internos a manter a calma e não se envolver em qualquer confusão.

Tereza (nome fictício) conta que tem um irmão internado na unidade e estava com medo de se apresentar para a visita, ontem, por conta da greve. “Tenho medo de que os meninos estejam agitados e sem segurança”, diz. Ela comenta que vem acompanhando as notícias sobre a paralisação dos servidores da Febem e desejou fazer a visita para passar tranqüilidade a seu irmão.

“Eu vim para aconselhá-lo a não se envolver em briga, em confusão. A gente sabe que qualquer discussão sem motivo pode virar uma tragédia, ainda mais sem os funcionários lá dentro. Então eu quero falar para ele ficar calmo”, ressalta.

Joana (nome fictício) tem um filho na Febem e ontem, pela segunda vez, foi visitá-lo. “Eu estou preocupada com a greve, porque não sei como estão as coisas aí dentro”, desabafa. Ela também decidiu visitar o filho para pedir que ele e os outros adolescentes evitem brigar ou causar tumulto.

“Eles já são meninos revoltados e agora estão sem liberdade. Espero que eles não estejam precisando de nada para não dar motivo a confusão”, deseja a mãe. Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos familiares dos internos.

Cerol

Durante a manhã de ontem, os adolescentes internos permaneceram escutando música e empinando pipa. De acordo com o funcionário Robinson Garcia, representante do Sitraemfa, os servidores da Febem que estavam do lado de fora da unidade ficaram alarmados ao perceber que as linhas das pipas dos internos tinham cerol - mistura de vidro moído com cola que deixa o fio mais resistente e cortante.

“Eles receberam folhas de seda e bambu para produzir as pipas e ficam disputando entre cada unidade de internação. Mas ficamos assustados ao pegar uma pipa que caiu aqui ao lado e ver que tinha cerol”, afirma.

Na opinião de Amaro Vaccaro, também representante do Sitraemfa em Bauru, o cerol nas linhas é fraco porque os adolescentes o produzem com cola escolar, disponível na entidade. “Eles não têm acesso a vidros que possam quebrar para fazer o cerol, então, devem estar usando lâmpadas fluorescentes moídas, que também funciona”, aponta.

A unidade de Bauru está em seu limite de capacidade atualmente, abrigando 72 adolescentes infratores. Ao todo, a unidade conta com 85 servidores, além dos agentes de segurança terceirizados. A reportagem do JC tentou contato com a direção da unidade de Bauru e com a assessoria de imprensa da Febem ontem, mas não conseguiu localizar ninguém.

Nas 77 unidades da instituição do Estado, a adesão à greve já alcança 80%. Os funcionários reivindicam estabilidade no emprego, reajuste salarial de 24,63% referente à defasagem de oito anos, segurança e condições de trabalho, aplicação integral do plano de cargos e salários, fim das perseguições políticas praticadas pela corregedoria da Febem e cumprimento de decisões judiciais relacionadas a benefícios.

Durante a última semana, a assessoria de imprensa da fundação já informou que a segurança das unidades não será comprometida com a greve, visto que a guarda dos adolescentes é realizada por agentes de segurança terceirizados. O órgão informa também que a manutenção das atividades dos internos dependerá do número de agentes e coordenadores presentes em cada unidade. Caso não haja servidores para orientar as aulas e atividades, os agentes de segurança organizarão atividades esportivas, como futebol.

Além da Febem, continuam em greve em Bauru os funcionários da Justiça Estadual, professores e servidores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e funcionários da Universidade de São Paulo (USP).

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