Bairros

Jaú terá eleição acirrada com 6 nomes

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Na capital do Calçado Feminino, a vizinha Jaú (47 quilômetros de Bauru), a disputa eleitoral deste ano será travada entre políticos tarimbados e estreantes. Cerca de 82 mil eleitores vão eleger 11 de 193 candidatos à Câmara Municipal – que perdeu seis cadeiras na redução determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral -, e escolher o novo prefeito dentre seis nomes que postulam o cargo. Três deles enfrentarão o teste da popularidade, visto que já ocuparam a chefia do Executivo, e os outros três apostam na inovação para convencer o eleitorado.

O prefeito de Jaú, João Sanzovo Neto (PSDB), tem como vice o advogado e ex-presidente da OAB local Milton Lyra (PL) e fechou em torno de si apoio representativo de outras cinco legendas - PDT/PFL/PPS/PSB/PSC. Aos 46 anos, o empresário do setor supermercadista, com carreira política iniciada em 93 – neste ano, Sanzovo foi vice-prefeito de Waldemar Bauab, hoje seu opositor - terá a continuidade de seu atual programa de governo como mote de campanha.

“Nestes quase quatro anos, conseguimos sanear as dívidas do município, cumprimos a Lei de Responsabilidade Fiscal e atingimos prioridades traçadas dentro da escassez de recursos que herdamos. O orçamento per capita da Saúde, por exemplo, saltou de R$ 46,00 para R$ 102,00. A proposta, então, é prosseguir neste caminho e ampliar as realizações, uma vez que teremos três vezes mais recursos para investimentos no próximo governo. Prioritariamente, vamos executar obras de galerias, urbanizar o Jardim Sila, abrir um espaço para congressos e feiras e concluir as melhorias no sistema viário”, listou.

Na eleição de 2000, Sanzovo venceu com cerca de 58% dos votos válidos e teve maioria no Legislativo durante todo o governo, façanha que ele trabalha para conquistar novamente, ainda que com o enxugamento no número de vereadores. “Vamos trabalhar para manter a proporção da maioria”, aposta.

Com experiência de 21 anos na política, o dentista aposentado e empresário do setor de comunicação Waldemar Bauab (PTB), 76 anos, já completou a maioridade. Foi vereador na Estância de Barra Bonita e, em Jaú, presidente da Câmara Municipal e duas vezes prefeito. Em 2000, concorreu ao Executivo, mas desistiu em favor de Paulo Sérgio de Almeida Leite.

Candidato pela terceira vez, Bauab pretende dar ênfase aos lotes urbanizados implantados pela sua administração. “O último núcleo está sem asfalto, sem luz e sem guias e sarjetas”, alega.

Outro ponto defendido por ele é a saúde pública. “Meu vice, o Osvaldo Franceschi Júnior (PTB), é diretor clínico da Santa Casa. Vou fazer uma revolução na saúde. Pretendo acabar com a filas e com a falta de medicamentos. Tenho um grupo de pessoas desenvolvendo projetos para minha administração. Vou apresentar um plano de governo”, discursa o petebista, que fez coalizão com o PC do B/PRTB.

Outro já conhecido do eleitorado jauense é Sigefredo Griso (PMDB), que fechou apoio com o PT para a eleição 2004. Prefeito de 1989 a 1992, o engenheiro civil de 57 anos teve passagem anterior na administração municipal como secretário de obras e planejamento.

O programa de governo de Griso prioriza a criação de um pólo industrial nos moldes da cidade de Franca. “O setor calçadista de Jaú usa cerca de duas mil latas de cola/dia. Esse produto vem de outra parte do País. O que eu pretendo fazer no pólo é atrair indústrias de componentes e fornecedores do setor que mais cresce na cidade”, propõe.

A criação do pólo, na opinião dele, vai gerar novas vagas no setor. “Vai criar empregos em outras áreas, além de colaborar com os calçadistas, que terão um custo menor no processo de produção. Para incentivar empresas a se instalarem em Jaú, ele pretende estudar e propor à Câmara a isenção de impostos. O vice do candidato é Manoel Martins Júnior, industrial do setor calçadista e integrante do PMDB.

Estreantes

O cabeleireiro e pastor evangélico Aldemir de Souza (PCO) tem 56 anos e resolveu disputar a eleição para defender as classes minoritárias e marginalizadas. É candidato pela primeira vez ao Executivo, mas já havia tentado, sem sucesso, alçar uma vaga na Câmara Municipal. “Vou lutar para que as creches funcionem até o período noturno para favorecer as mães. Vou criar quadras de esportes para tirar as crianças da rua”, anuncia ele, que tem João Batista Massambari como vice.

Outro estreante é Jesus de Oliveira Filho, engenheiro civil e ex-funcionário da Sabesp, onde já foi fiscal de obras da empresa e gerente. Aos 51 anos, foi escolhido candidato da coligação PMN/PT do B. Assim como seu concorrente, tentou eleger-se vereador em 1992, sem sucesso. Keila Pires, do PT do B, é sua vice e uma das duas mulheres que concorrem na campanha majoritária.

A tônica do programa de governo de Oliveira Filho é a criação de uma agência de importação e exportação e incentivar a instalação de indústrias fornecedoras para o setor calçadista, nos moldes de Franca. “A Secretaria de Desenvolvimento Econômico não funciona a contento”, critica ele, fundamentando seu mote, que inclui ainda a municipalização do transporte coletivo urbano com intuito de reduzir a tarifa de R$ 1,25 para R$ 0,50.

O sexto candidato à Prefeitura Municipal de Jaú e também iniciante vem do Partido Verde e do primeiro escalão do atual governo. José Paulo Toffano, 34 anos, foi secretário do Meio Ambiente da gestão Sanzovo e atua como professor e educador ambiental.

Junto com o PHS/PSDC/PTN na coligação “A hora é essa”, Toffano traz em seu currículo uma candidatura a deputado federal em 2002, quando recebeu 40% dos votos válidos em Jaú e ficou como suplente. Maria José de Oliveira Soares, do PSDC, também educadora, é sua vice.

Dentre os planos para o município, o candidato verde prioriza o plano diretor. “Jaú não tem um plano diretor. Pretendo planejar a cidade para melhorar a qualidade de vida de seus moradores. Valorizar os espaços públicos”, propõe. Ele também anuncia como plano de governo o incentivo às micros, pequenas e grandes empresas e ao turismo regional através da Cultura e do Meio Ambiente.

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