Polícia

Dise apreende 89 quilos de cocaína

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Ao abrir dois cilindros de aço em uma oficina em Bauru no início da noite de ontem, a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) confirmou o que vinha investigando há meses: os recipientes, fabricados a pedido de um bauruense para, supostamentamente serem usados em equipamentos da indústria alimentícia na Espanha, estavam recheados de cocaína. Dividida em cerca de 80 pacotes, a droga pesou 89 quilos.

“É a maior apreensão de cocaína em Bauru que tenho notícia. A maior até então foi de 25 quilos, de uma droga que estava passando pela cidade”, ressalta o delegado José Henrique Gomes dos Santos, titular da Dise. Três homens - um brasileiro que mora em Bauru, um português e um espanhol - foram presos por tráfico de drogas e associação para o tráfico.

A polícia não divulgou os nomes dos três acusados, que até o fechamento desta edição ainda estavam sendo ouvidos na Dise. Porém, pelas informações apuradas até as 23h30 de ontem, o delegado adiantou que já estava configurado tráfico internacional. “O brasileiro, ao ser abordado pelos policiais da Dise chegando na oficina com os cilindros, nos revelou que eles estavam cheios de cocaína e que o destino era a Espanha”, explica.

Um selo afixado na maioria dos pacotes de cocaína contém indícios que a droga veio da Colômbia. Além da frase “Calidad Certificad”, o selo traz uma concha com uma pérola ao centro, símbolo do cartel de Bogotá, segundo os policiais que participaram da apreensão.

No entanto, a polícia ainda não tinha informações exatas sobre a origem da droga, como chegou a Bauru e como seria levada a Espanha. “Apuramos, através das pessoas envolvidas, que o destino da cocaína era a Espanha. A droga seria levada para São Paulo, de onde seguiria para a Espanha de avião. Vamos investigar para apurar se realmente é isso”, diz Santos.

Ele ressalta que a Dise vinha investigando uma informação de que ocorria tráfico internacional em Bauru há alguns meses, acompanhando a movimentação do bauruense preso. “Nós observamos essa pessoa chegando à oficina com os cilindros e fizemos a abordagem. Ela acabou revelando que as peças pertenciam a ela e a dois estrangeiros e tinham cocaína”, afirma Santos.

Os cilindros haviam sido fabricados na oficina, sob encomenda, e ontem estavam sendo levados novamente ao estabelecimento para serem polidos e embalados para viagem, de acordo com o delegado. Santos afirma que até ontem não havia indícios de envolvimento do dono ou funcionários da oficina no tráfico, porém todas as hipóteses serão investigadas, de acordo com o delegado. “Eles colaboraram com a gente, abrindo os cilindros. Mas todos serão ouvidos”, comenta.

Tanto o português quanto o espanhol presos estavam no Brasil legalmente, com passaporte. O delegado não soube informar se os dois e o brasileiro já tinham passagem anterior pela polícia. O trio seria recolhido a uma cadeia da cidade da região, que a polícia não revelou qual por motivos de segurança.

Questionado pelo JC se cilindros semelhantes recheados de cocaína podem ter embarcados anteriormente para a Europa, o delegado da Dise disse que ainda não tinha dados para dizer que sim ou não. “Vamos informar o caso à Polícia Federal e ao Denarc (Departamento de Narcóticos), que cuida da fiscalização de aeroportos, que podem ter outras informações para tentar apurar isso”, frisa.

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Cilindros de aço estavam lacrados

Os cilindros onde a cocaína estava escondida são peças ocas feitas em aço e com uma tampa, por onde a droga era colocada. Depois de receber a droga, os cilindros eram lacrados e acondicionados em uma caixa de madeira para viagem.

Ambos têm paredes de cerca de 2,5 centímetros de espessura, o que supostamente ajudaria a camuflar a droga. Porém, o delegado titular da Dise, José Henrique Gomes dos Santos, não soube informar se as peças poderiam passar pela fiscalização de aeroportos sem que os policiais desconfiassem de algo irregular.

Segundo informações obtidas pela reportagem junto à oficina, o cilindro maior, com pouco mais de dois metros de comprimento, pesa cerca de 300 quilos e tem aproximadamente 30 centímetros de diâmetro. A outra peça é ligeiramente menor. Ambas estavam lotadas de cocaína e muito bem fechadas.

Para abri-las, foi necessário colocá-las em um torno mecânico da oficina e usar várias chaves. Mesmo assim, três funcionários da oficina levaram mais de 15 minutos para abrir o cilindro maior, operação realizada na frente da imprensa.

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