Economia & Negócios

Comércio na Internet cresce 51% em 2004

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Há alguns anos, quando surgiram as primeiras lojas virtuais brasileiras, os consumidores ainda tinham o “pé atrás” para fazer compras sem sair de casa. O motivo principal era o medo de ter seus dados pessoais e número de cartão de crédito clonados ou utilizados com má-fé. Pelo jeito, essa situação é realmente coisa do passado. O e-commerce (comércio eletrônico) teve crescimento de 51% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, e os empresários esperam aumento de mais 40% nas vendas até dezembro.

De acordo com a e-bit, empresa de pesquisa e marketing on-line que coleta informações com consumidores de mais de 450 lojas virtuais, o e-commerce movimentou mais de R$ 745 milhões no primeiro semestre deste ano, valor 51% maior do que nos seis primeiros meses do ano passado e que superou em 20% as expectativas do setor. Nos 12 meses do ano passado, o faturamento do comércio na Internet chegou a R$ 1,2 bilhão.

O diretor geral da e-bit, Pedro Guasti, comenta que o setor é um mercado jovem, em comparação com o varejo tradicional, e tem potencial para crescer ainda mais. “O comércio eletrônico tem aproximadamente cinco anos no Brasil, desde que as empresas investiram com mais força nesse setor e ainda tem grande potencial de crescimento. Estamos prevendo que o faturamento em 2004 alcance mais de R$ 1,6 bilhão, ou seja, um crescimento representativo na casa de 40% no ano”, analisa.

Na opinião de Guasti, o maior ponto positivo para as vendas virtuais é a questão da comodidade, ou seja, receber as compras em casa e com segurança. “As pessoas precisam cada vez mais de produtos e serviços que lhes atendam a conveniência”, diz. Para ele, o comércio eletrônico ajuda principalmente moradores de grandes cidades e que não têm tempo de efetuar suas compras, e também pessoas de fora dos grandes centros e de cidades pequenas, que não encontram grande variedade de produtos e marcas em suas cidades.

“Na Internet, os consumidores encontram todas as grandes lojas, todas as marcas e uma variedade enorme de produtos à sua disposição. As lojas têm evoluído na entrega e investido muito na questão da facilidade de pagamento para atender seu cliente”, aponta Guasti.

Variedade e preços

Desde 1995, no início da popularização da Internet no Brasil, o universitário Márcio Alleoni tem o hábito de comprar CDs, DVDs, livros e aparelhos eletrônicos em lojas virtuais e sites de leilão. Segundo ele, os motivos que o levaram às compras on-line são a variedade de produtos e os preços melhores. “Você acha muitas coisas que não encontra nas lojas. E o preço, mesmo com o frete, acaba compensando”, diz.

O universitário conta que já enfrentou problemas com algumas compras de alto valor em lojas virtuais, principalmente com aparelhos eletrônicos. No entanto, em todas as ocasiões Alleoni teve suas reclamações atendidas ou foi reembolsado, mesmo que isso tenha levado algum tempo.

“Um aparelho de som veio com defeito em uma caixa e o modelo não era exatamente como estava especificado no site. A loja me atendeu, recebeu o produto de volta e depositou o dinheiro na minha conta. Já um gravador de CD que comprei só gravava discos da mesma marca. A empresa demorou três meses, mas também me reembolsou o dinheiro”, relata.

Já o técnico em informática Pablo de Andrade Costa, consumidor freqüente de lojas virtuais, teve uma surpresa desagradável ao abrir um produto adquirido em um site de leilão brasileiro - onde os próprios afiliados são os negociadores dos produtos. Ao invés do videogame requisitado, ele recebeu um tijolo. “Eu comprei o videogame por Sedex a cobrar e pedi para abrir antes de pagar, mas o funcionário do Correio não permitiu. Eu paguei e abri a caixa na própria agência, e tinha um tijolo. O Correio fez o reconhecimento da encomenda e eu fui fazer um boletim de ocorrência”, conta.

O valor do tijolo, R$ 650,00, está bloqueado pelos Correios, e Costa procurou um advogado para tentar recuperar o dinheiro pela Justiça. “Segundo minha advogada, o vendedor não recebeu o dinheiro. Agora, tenho de esperar até que se resolva essa situação. Continuo comprando pela Internet, é quase um vício, mas agora procuro somente as lojas confiáveis”, relata.

Éliton Francisco Carvalho, que costuma comprar CDs e livros em lojas virtuais, já deixou de comprar uma câmera digital em um site de leilão justamente por achar que não teria garantias de que o produto seria enviado ou que chegaria em sua casa em perfeito estado. “Eu não tinha garantias de que o vendedor ia mandar a câmera ou mesmo que ia chegar aqui funcionando. Se chegasse com defeito, eu não teria onde levar para manutenção ou poderia nem ter garantia da fábrica”, comenta.

Alleoni, que também é afiliado a diversos sites de leilão, orienta que os consumidores devem tomar cuidado ao dar um lance ou adquirir um produto neste tipo de transação. “Você tem de verificar se a pessoa é bem cotada e se tem críticas negativas. Mas normalmente não dá problema, justamente por você ter como monitorar se a pessoa é confiável. Quando você finaliza a compra, o site passa o nome completo de quem está vendendo, telefone, endereço”, aponta.

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