Bairros

Coleta seletiva da Semma cai 67%

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Em dois anos, a quantidade de materiais recicláveis coletados pela prefeitura de Bauru caiu cerca de 67%. O município que antes arrecadava 120 toneladas ao mês, por meio da coleta seletiva realizada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), hoje coleta somente 40 toneladas. A informação é do diretor do Departamento de Ação em Recursos Ambientais da Semma, Carlos Barbieri.

Na avaliação de Barbieri, a queda da arrecadação está diretamente relacionada à ação dos catadores de lixo autônomos, que passam pelas ruas antes dos caminhões da Semma e recolhem o material reciclável.

“O maior problema é a concorrência entre a prefeitura e os catadores. Antigamente, era a prefeitura que tocava todo o sistema de coleta seletiva. Hoje, existem os catadores autônomos que saem arrecadando esse material pela rua, passam nas casas antes do caminhão da coleta seletiva e vendem esse material para os depósitos”, diz.

O material arrecadado por meio da coleta seletiva realizada pela Semma é destinado à Central de Triagem de lixo reciclável do Jardim Redentor, onde atualmente 25 trabalhadores da Associação dos Catadores de Material Reciclável tiram o sustento. Os trabalhadores da central reclamam que o rendimento vem caindo gradativamente devido à baixa arrecadação de materiais recicláveis.

O diretor da Semma não acredita que a queda da coleta também esteja relacionada à falta de participação da população. Para ele, as pessoas estão cada vez mais tomando consciência da importância de separar o lixo reciclável em casa. “A população está contribuindo”, diz.

A coleta seletiva da prefeitura conta com três caminhões e atinge hoje cerca de 70% dos bairros do município. A arrecadação é realizada semanalmente em cada bairro.

Outro lado

Catadores que trabalham recolhendo recicláveis com carroças na cidade também reclamam que estão com dificuldades para encontrar materiais pelas ruas. “Os caminhões (da prefeitura) passam recolhendo e isso diminui o que podemos arrecadar. Eles também nos prejudicam”, diz José Ferreira Armendroz, 27 anos.

Segundo seu companheiro de trabalho, José Carlos Gonçalves, 40 anos, devido à falta de oportunidades de emprego, o número de catadores está aumentando nas ruas. “Não tem emprego e a gente tem que trabalhar”, afirma Gonçalves, que ontem estimava ganhar cerca de R$ 2,00 com os recicláveis recolhidos no período da manhã.

Atento à concorrência, o catador André Alexandre Ribeiro, 29 anos, admite que se esforça para passar pelas ruas antes dos caminhões de coleta da prefeitura. “Eles passam por volta das 7h e eu procuro chegar antes”, diz o catador, que começa a trabalhar às 5h30 e tira em média cerca de R$ 200,00 ao mês com a atividade.

Luciano Sementile, 76 anos, morador da quadra 28 da rua Joaquim da Silva Martha, afirma que, em muitas ocasiões, os catadores se antecipam ao trabalho da prefeitura e levam o lixo que elea separa. “Quase sempre eles passam primeiro do que o caminhão”, diz. “Aquele que passar primeiro leva”, completa o morador.

Kátia Mitiko Silva de Oliveira, 38 anos, moradora de um residencial localizado na quadra 4 da rua Raposo Tavares, também já flagrou a ação dos catadores. Entretanto, a moradora, que separa lixo reciclável há quatro anos, diz não ter preferência sobre o agente de coleta, seja ele a prefeitura ou os trabalhadores autônomos. “De qualquer forma estamos ajudando quem precisa”, conclui.

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