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Orgia imperdoável


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Não obstante polarizando as atenções por serem temas que mexem com toda a opinião pública, as idas e vindas das políticas executivas e legislativas nacionais, as quais estão resultando em demissões ou substituições de ministros, assessores e também cassações de mandatos e cargos, não se mostram sozinhas nos amplos tablados dos leitores diários de jornais e sintonizadores de rádio e televisão, eis que há um outro motivo bem robusto que derrota espetacularmente aqueles: são as promoções de preços comerciais, principalmente os alusivos a alimentos, produtos de limpeza, refrigerantes e vestuários. Mal o consumidor acorda, pega o jornal ou liga o receptor, dirige-se imediatamente para as filas de supermercados e lojas afim de aproveitar as ofertas antes que terminem os estoques do dia. Justifica-se a correria porque está difícil comprar coisas, face à disparidade de tabelas que domina os mercados metropolitanos e citadinos e tumultua o temperamento das pessoas, nem sempre por causa das cotações mas pela sensação percuciente que provoca na clientela de que possa ela estar vilmente explorada. Não concebe a freguesia que o mesmo produto, procedente da mesma fábrica, pagando os mesmos tributos e outras facilidades, seja apresentado ao imenso público com tão acentuada alforria de cotações, da noite para o dia, num absurdo por todos os títulos condenável. Daí, a desenfreada corrida no sentido das tais promoções que, largamente anunciadas, dão aos compradores a indicação de onde encontrarem no dia valores mais acessíveis, segundo anseio do projetado Brasil Novo, voltado para seu aparente ou mesmo sonhado combate à inflação, mas raras vezes obediente às aspirações governamentais, delas exigindo façam das “tripas coração” - conforme se diz - para atender ao menos um pouco suas promessas eleitoreiras, estateladas inapelavelmente nas agendas de suas ricas gavetas para entrar em vigor somente quando as tempestades acalmarem e o sol da ganância desaparecer da “terra nostra”, de que fala a novela televisiva, enfeitada de mulheres bonitas que não deixam ninguém perder um só episódio. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado, é o jornalista responsável do JC

“Revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente por todo o sempre - Colossenses 3-12”.

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