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CPFL perde 6% de energia com fraudes

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) estuda a utilização de um novo aparelho para detectar fraudes no sistema de energia. Em 261 cidades do Interior de São Paulo atendidas pela concessionária, incluindo Bauru, 6% do consumo total são de ligações clandestinas. Esse índice abrange o primeiro semestre deste ano, de acordo com informações do gerente regional da empresa, César Bento Machado.

Juntamente com representantes de outras cidades, ele coordenou a 2.ª Jornada de Perdas Comerciais, realizada ontem na sede do escritório regional da CPFL. O evento contou com a participação de, aproximadamente, 200 eletricistas e técnicos de medição, e teve como um dos objetivos debater técnicas para coibir as fraudes.

O aparelho é uma ações de combate ao furto de energia. Em breve, ele deverá ser colocado em prática pela CPFL em Bauru que possui 140 mil clientes. “É um detector de fraude, que passa, por exemplo, na parede de uma residência verificando se existe algum fio que sai antes do medidor”, explica César.

As ligações irregulares podem ser de dois tipos: a primeira fraude é feita na própria casa, quando o cliente adultera a instalação elétrica para tentar diminuir o real consumo de energia. O segundo caso é o famoso “gato”, quando a pessoa acopla o fio residencial direto na rede da CPFL sem passar por nenhum medidor de energia. “Quando o cliente faz o ‘gato’, não faz questão de esconder, a ligação é aparente”, aponta César.

De acordo com ele, as fraudes ocorrem de forma generalizada, em diversos bairros. “Os ‘gatos’ acontecem mais em áreas de baixa renda”, comenta o gerente da CPFL. Para constatar irregularidades, a concessionária realiza inspeções regulares, comparando as medições na entrada das subestações e o consumo da residências. A fraude ocorre quando existem diferenças entre as duas medições.

As ligações ilícitas são “ensinadas” por vendedores da técnica, conta o gerente. “Existe uma indústria da fraude formada por pessoas altamente especializadas. Elas dizem que a pessoa pode pagar de 30% ou 50% a menos (do valor de energia consumido) e que ninguém vai perceber. Muitos aceitam por inocência”, diz.

Dois eletricistas ouvidos pelo Jornal da Cidade confirmam a existência de pessoas que realizam os “gatos” em Bauru. Eles preferiram não se identificar, mas revelam que a prática é comum em muitos bairros da cidade. “Sei que existem ‘gatos’ em diversos locais”, afirma um deles.

Após detectada a fraude, o cliente precisa pagar novamente pela reinstalação da energia. Para evitar ligações clandestinas, a CPFL enviou as seus clientes uma carta informando que existem pessoas mal-intencionadas oferecendo esse tipo de serviço e que essa conduta é considerada ilegal.

Se comprovadas, as ligações clandestinas são consideradas crimes de furto, furto qualificado ou estelionato, explica o delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG/Garra) J.J.Cardia.

Ele também participou do evento da CPFL e orientou os funcionários da empresa a como proceder no caso de fraude no sistema de energia. “Os técnicos devem entrar em contato com o delegado da área e manter o local sem alteração, até que a polícia técnica faça a vistoria do local”, diz.

Segundo Cardia, não existem muitas ocorrências de furtos de energia registradas em Bauru. “Existem cinco inquéritos policiais em andamento, em vários distritos”, detalha.

A pena para furto simples e estelionato é de um a quatro anos de detenção; já para furto qualificado, a pena é de dois a oito anos de reclusão.

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