De tempos em tempos, entra em discussão quão aflorada está a religiosidade de um povo, que esta ou aquela igreja perdeu ou ganhou adeptos, que em tempos de crise ou alegria as pessoas, independente da religião, se apegam mais aos santos. O fato é que este é um mercado em expansão. Em Itápolis, por exemplo, uma fábrica de imagens produz 20 mil peças todos os meses e o proprietário, Aleixo Januzzi Neto, é enfático: "Vendo tudo o que produzo. E só não produzo mais por falta de mão-de-obra especializada".
Ter uma imagem de santo em casa, local de trabalho ou no carro é hábito geralmente ligado aos católicos. No Brasil, a imagem mais vendida é a de Nossa Senhora Aparecida, uma santa genuinamente brasileira. Em segundo lugar vem a de Santo Expedito, aquele que ajuda a resolver as causas ‘quase’ impossíveis.
Os produtos religiosos movimentam um mercado em expansão que, segundo Januzzi Neto, não tem crise. “O que falta é mão-de-obra especializada”, reforça.
O fabricante produz peças para os católicos e umbandistas. O curioso é que na confecção de santos só trabalham adeptos da religião católica.
Além da fábrica, artistas regionais trabalham continuamente na fabricação de imagens, dando novas formas a quadros consagrados, como é o caso do artista plástico Carlos Reinaldo Pengo, que está fazendo a Santa Ceia com apóstolos que usam óculos e saboreiam sorvete, uma imagem contemporânea.
O criador de produtos religiosos é, antes de tudo, um devoto e mantém um relacionamento bastante afinado com o seu santo preferido. Em Jaú, "Zé do Terço" conta que fabrica o rosário a pedido de Nossa Senhora, que envia até ele aqueles que necessitam da doação.
Um artista de Barra Bonita que entalha santos em madeira garante que tem obras com o governador e com o humorista Chico Anísio.