Economia & Negócios

Ciesp: diversidade compensa baixo VA

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O baixo desempenho de Bauru em termos de geração de Valor Adicionado (VA) na comparação com outras cidades é compensado pelo fato da economia municipal também estar baseada no comércio e prestação de serviços. A opinião é do vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Marques Coube.

O VA é o volume de recursos financeiros gerado na indústria de transformação. Uma matéria-prima, por exemplo, custa menos do que o produto que ela origina. A diferença entre os dois preços é o que constitui o Valor Adicionado.

Um ranking divulgado pelo Instituto de Estudos Metropolitanos (Ieme) e veiculado pelo JC anteontem mostra que, das 75 cidades paulistas analisadas, Bauru tem VA per capita maior que apenas dez delas. O estudo leva em consideração o total de recursos dividido pelo número de habitantes de cada município.

Para Coube, o ranking também precisa ser analisado sobre outros aspectos. “Se tivéssemos uma preponderância industrial mais acentuada, como ocorre proporcionalmente em Jaú e Marília, teríamos um VA maior, mas isso não significaria necessariamente um avanço. A economia de Bauru é muito equilibrada entre vários setores. A indústria é importante, mas o comércio e a prestação de serviços também são”, argumenta.

Ele acredita que, de um modo geral, a importância do VA é relativa. “Seria bom se tivéssemos mais indústrias, porque elas promovem a qualificação da mão-de-obra, aumentam a renda e geram empregos, mas o Valor Adicionado sozinho não quer dizer tanta coisa. Em Agudos, pelo fato da Ambev e da Duratex estarem instaladas lá, talvez esse indicador per capita seja altíssimo comparado com o nosso, mas em termos de qualidade de vida não vejo diferença”, opina.

Políticas públicas

Já o economista Reinaldo Cafeo vê problemas no fato da cidade não gerar um VA tão grande como o de outros municípios. Ele acredita que essa situação poderia ser revertida caso Bauru tivesse políticas públicas voltadas para a atração de indústrias. “Nesses últimos anos, houve um certo descaso e até mesmo a ausência de priorização da infra-estrutura necessária para isso”, opina.

Ele acredita que falta ação à atual administração nesse sentido. “Não é com um folder embaixo do braço ou com retórica que você vai atrair. É preciso mostrar efetivamente para a comunidade empresarial as vantagens que Bauru tem. Ao longo do tempo, nós nos valemos do discurso do entroncamento e hoje é possível trabalhar com o conceito de logística”, pondera.

Cafeo cobra também a elaboração de diagnósticos que possam contribuir para o desenvolvimento industrial do município. “A cidade não conhece os seus reais números e potenciais. Não sabemos quem são os nossos produtores e, conseqüentemente, não conseguimos auxiliá-los, quer para que eles não quebrem, quer para que eles possam crescer”, destaca.

Ele lembra, no entanto, que a situação atual do País tem feito as indústrias agirem com cautela. “Não adianta se iludir. O meio empresarial, para investir pesado em uma cidade, precisa ter a perspectiva de retorno a longo prazo e a conjuntura econômica não favoreceu esse aporte de capital até o momento”, declara.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Domingos Malandrino, contesta a visão de que Bauru tem poucas indústrias. Ele acredita que o problema está no perfil delas, voltadas mais para a fabricação de produtos que não geram VA.

Cafeo discorda. “Em relação à Bacia de Campos, que produz petróleo, tudo bem, mas à medida que você tem cidades com o mesmo perfil de agregação e que conseguem agregar mais valores, algo de errado está acontecendo”, opina.

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