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Circulando: 'Tio Chico' abre o jogo

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Se você chegar em um encontro de motos e perguntar pelo João Carlos Gonçalves Tavares, certamente ninguém saberá lhe indicar quem é. Entretanto, experimente procurar pelo “Tio Chico”. Em poucos segundos sua busca terminará e alguém lhe apontará onde ele se encontra.

Isso porque o “Tio Chico”, cujo nome e visual foram inspirados no personagem “Uncle Fester” do filme “Família Addams”, é conhecido nacionalmente em todo o País por freqüentar e animar eventos do gênero com suas brincadeiras e bom humor. Em Bauru, durante a festa de aniversário do motoclube Conexão, realizada no último sábado, ele foi uma das principais estrelas.

Na vida “real”, o “Tio Chico” e sua aparência fúnebre - careca, olhos pintados de preto, rosto branco, sobretudo de pano e adereços de plástico nada amistosos, como machadinha e facão -, escondem a figura de João Carlos Gonçalves Tavares, um ex-assessor de imprensa que abandonou suas funções em uma ferrovia paulistana, onde já atuava há mais de dez anos, para dedicar-se, exclusivamente, ao personagem.

A escolha valeu a pena para Tavares, pois ele revela que o “Tio Chico” garante seu sustento desde 1998, ano de nascimento do personagem. “Foi numa brincadeira dos Abutres (um dos principais motoclubes do País). Alguns membros me acharam parecido com o personagem do filme e rasparam meu cabelo, pintaram meu rosto e me soltaram em uma festa, em Ubatuba. Por isso, apesar de não ser um abutre, me sinto um filhote deles”, brinca.

Desde então, conta Tavares, o “Tio Chico” não parou mais de visitar encontros e festas motociclísticas pelo País, além de participar de programas televisivos, como o programa do Ratinho, com participações nos quadros do “Jornal Rational” e nos exames de DNA. “Calculo fazer, anualmente, de 150 a 170 aparições por ano entre gravações, feiras e eventos de moto”, diz.

No início, Tavares revela ter sido complicado acostumar-se com a alcunha de “Tio Chico”. “Achava esquisito”, confessa. Atualmente, já calejado com a fama adquirida no País, ele aprendeu a curtir o carisma do personagem, principalmente com as crianças.

“Ele é muito carismático e agrada todas as idades, o que o torna muito gratificante fazê-lo, mesmo diante das dificuldades que a tarefa exige, como as várias viagens e o conseqüente cansaço. Mas dá para tocar a vida legal, pois a gente se motiva com o reconhecimento e o calor humano do público, que chega até a pedir autógrafos. Quem sou eu para fazer isso?”, enfatiza o humilde “Tio Chico”.

As diversas presenças em encontros e festas dos admiradores das máquinas de duas rodas também já lhe renderam participações em fatos curiosos e engraçados. “São tantos que dão para escrever um livro. É só escolher. Em viagens, dentro ou fora de ônibus ou nos eventos? Qual você quer?”, questiona Tavares.

Apesar da quantidade, “Tio Chico” não se esquece de dois episódios. O que mais o marcou foi um de caráter escatológico que ocorreu quando ele, no ano passado, viajava até o município baiano de Jequié para participar de um evento. “Um cara não estava passando bem e foi até o banheiro do ônibus para vomitar, oportunidade em que a dentadura dele caiu dentro da privada”, conta Tavares.

Na seqüência, acrescenta “Tio Chico”, o homem forçou o motorista a parar o veículo em um posto para tirar a dentadura. “Como ele não conseguia, resolveu apelar enfiando o braço no vaso. O cara, então, pegou-a, passou pinga nela inteirinha e colocou na boca novamente”, recorda. O outro fato marcante para “Tio Chico” foi quando ele tomou uma verdadeira “geral” de policiais rodoviários quando retornava de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. “Eles pegaram o facão de plástico, a machadinha, a maquiagem e até me algemaram. Só os convenci que não era perigoso depois de mostrar fotos minhas em festas”, afirma Tavares.

Produção

O visual do “Tio Chico" é uma de suas características mais marcantes. Para produzi-lo, Tavares revela que não gasta muito tempo. “Demorado mesmo é desfazer-se dele, pois leva cerca de uma hora e meia, no mínimo”, frisa. O mais complicado, conforme Tavares, é retirar o produto branco, um hidratante, que recobre todo seu rosto e cabeça. “Tem de tirar o excesso no papel, aplicar o retirador de maquiagem, esfregar o xampu, lavar com sabonete e ainda aplicar um outro hidratante”, salienta.

Tavares faz questão de ressaltar que o produto utilizado em seu corpo é um especial para a pele que a permite transpirar. “Por isso, quem quiser fazer algo semelhante, deve procurar maquiadores e salões especializados e orientar-se sobre o que se pode ou não passar na pele, pois o que é para ser uma brincadeira pode tornar-se uma tragédia.

Ninguém deve usar nada no corpo sem seguir esta regra.”

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Perfil

Nome: João Carlos Gonçalves Tavares

Idade: 46 anos

Hobby: “Curtir a vida da melhor forma possível e isso que faço é o melhor meio, pois viajo, conheço o Brasil e trabalho.”

Time do coração: “Meu esporte favorito não é o futebol, mas sim as corridas de carros e motos. Torço para os brasileiros, mas o Rubinho é segundo piloto e só fica na dele mesmo. Se fosse torcer para um time, para não desmerecer nenhum, seria o Santos.”

Em qual tipo de evento o “Tio Chico” não aparece de jeito nenhum? “Procuro analisar muito, pois já fui convidado para várias frias.”

Para que tipo de motociclista o “Tio Chico" daria nota zero e para qual daria dez? “O bom motociclista encosta sua motocicleta, seja ela uma Biz ou uma R1, curte o movimento, escuta um rock, toma uma cervejinha, ganha uma menininha e sai sem causar problemas. Esse é o nota mil. O péssimo é aquele que quer empinar no meio do público e transformar os eventos em badernas.

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