Tribuna do Leitor

À OAB


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É com muito pesar que li a reportagem do dia 31/7, referente às manifestações da OAB regional, no tocante à greve dos servidores do Judiciário. Essa instituição sempre contribuiu em delicadas situações vividas na história, servindo de intermediária entre os conflitantes e apresentando soluções plausíveis na solução dos interesses, mormente em prol da democracia. Mas, infelizmente, quando á greve, adotou postura parcial (sei que não é unânime), que dá ênfase tão somente às questões particulares da categoria. Quem se prejudica com a greve não são unicamente os advogados, nem também o povo ou membros da magistratura, promotores e servidores em geral. Aqui, o interesse é maior! Não se pleiteia somente reposição de salários (há muito defasados pelo tempo), mas melhoria nas condições do serviço público, com a compra de materiais de escritório, informatização, abertura de concursos públicos para atualizar a defasagem laboral, etc. Os beneficiados seriam os próprios advogados, que teriam maior agilidade e funcionalidade no trâmite de seus processos. Seriam também os cidadãos, que poderiam se socorrer ao judiciário, sem temor de seu pleito se estender por muitos anos. Seriam também os servidores, que teriam condições dignas de trabalho, o que, aliás, é prerrogativa de qualquer um. Assim, erra a OAB em tomar posição de “exigir” dos juízes providências para acabar com a grave (pág. 8 da J.C. de 31/7), sob a “ameaça” de procedimentos administrativos que culminariam na exoneração dos servidores. Os nossos juízes, acredito, não são solidários à paralisação (que é a última instância para consecução de um direito), porém, são favoráveis em relação á causa dos grevistas, com a marginalização que vêm sofrendo no decorrer dos tempos. Acredito que a OAB ao invés de “exigir”, deveria “pedir, mediar, ponderar, apaziguar e solucionar”. Essa é a verdadeira função da instituição dos advogados, que não deve olhar para questões menores, de índole peculiar, mas sim para uma causa maior, em prol de todos. Em detrimento disso é que a ajuda da OAB para solução abreviada dessa contenda se torna imprescindível. Queremos “auxílio” e não “exigências”. O servidor do Judiciário é que tem contato direto no dia a dia dos advogados, surgindo uma relação harmônica e de cumplicidade. São eles que os ajudam no trâmite dos processos. São eles que ficam além do horário de serviço normal, para digitar um certidão de honorários da assistência judiciária, por exemplo, ou para cumprir um despacho, uma certidão, uma citação, intimação, uma carta de sentença, dentre milhares de atribuições. Fui advogado nos anos 90 e hoje sou funcionário público. Acredito que a Ordem do Advogados terá uma resposta mais breve à greve deflagrada se unir forças com os servidores e cobrar do Poder Executivo sua omissão.

Fernando Bueno Fabian - RG 18.033.215

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