De acordo com a psicóloga Luciana Biem, o trabalho na adolescência tem aspectos positivos e negativos. Ela alerta para a atenção da família a esse período para que não haja conseqüências indesejáveis.
Luciana destaca que os estudos devem sempre ser colocados em primeiro lugar e que não podem ser prejudicados pelo trabalho. “O trabalho na adolescência é algo saudável desde que não atrapalhe os estudos”, afirma.
Por esse motivo, a carga horária no emprego não deve ser muito intensa. Além disso, é importante que o jovem tenha tempo livre para realizar atividades típicas da adolescência, como passear, praticar esportes, estar com amigos, etc.
“Ele não pode deixar de viver a adolescência. Há coisas que ele precisa experimentar. A adolescência é uma fase de crescimento e de transição. Então a pessoa precisa dormir bem, se alimentar bem e não pode ter vida sedentária”, explica.
Além disso, o adolescente pode sofrer uma pressão muito grande quando a família depende do dinheiro de seu trabalho.
“Há adolescentes que não tiveram infância porque desde cedo precisaram trabalhar. Os pais muitas vezes não têm condições de arcar com as despesas da casa. O jovem já vai para o trabalho com a sobrecarga de ter de ajudar em casa. É uma responsabilidade muito grande e ele acaba desempenhando o papel dos pais”, expõe a psicóloga.
“O trabalho é saudável desde que não se torne uma necessidade de ter de realmente ser um dos chefes da família”, acrescenta Luciana.
Ela também sugere que seja avaliada a capacidade motora e intelectual do adolescente para que ele desempenhe uma função compatível. “O adolescente é capaz de realizar as coisas desde que ele aprenda”, afirma.
Por outro lado, Luciana enfatiza que há adolescentes que trabalham não por necessidade, mas porque querem alcançar a independência financeira.
“Eles trabalham para suprir a necessidade de se tornar financeiramente independentes dos pais. Eles querem sair com amigos, querem comprar roupas, etc. É positivo porque eles aprendem a dar valor para o dinheiro. A maturidade é alcançada mais rapidamente quando o adolescente trabalha”, diz.
Para a psicóloga, outro ponto positivo é que trabalhando o jovem aprende a respeitar regras, horários e ter limites. “Quando o adolescente trabalha, ele aprende a respeitar limites porque ele torna-se funcionário e tem de cumprir ordens”, enfatiza Luciana.
Ela salienta que tais observações são importantes porque a adolescência é uma fase de transição e, portanto, delicada. É quando o adolescente alcança a independência emocional e financeira e passa por alterações hormonais e físicas.
“O adolescente atinge uma maturidade para mais tarde estar pronto para o mercado de trabalho. Ele pode ter um emprego em que trabalha quatro horas, por exemplo. Sem uma carga que atrapalhe os estudos”, frisa Luciana.